Também conhecido como acufeno ou tinido, o zumbido no ouvido é descrito pela percepção de um som sem que haja uma fonte externa. A condição afeta milhões de pessoas em todo o mundo e pode ser leve ou incômoda, a ponto de interferir na qualidade de vida, causando ansiedade e dificuldade de concentração. As causas são variadas e podem estar associadas ao acúmulo de cera, exposição a ruídos altos ou a condições médicas como infecções do ouvido, problemas na articulação temporomandibular (ATM) ou perda auditiva.
O zumbido no ouvido pode ocorrer de forma permanente ou intermitente. Esse som ou barulho incômodo pode se manifestar na forma de chiados, apitos, zumbidos, cliques ou estalos. A condição pode acometer um ou ambos os ouvidos, ser contínua, ter intensidade única ou variar ao longo do tempo. “Além disso, o zumbido pode ser monofônico, com a percepção de um único som, ou polifônico, com a percepção de vários sons”, descreve o otoneurologista do Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE), Fernando Botelho.
Com causas multifatoriais, a condição está associada a determinadas condições de saúde. As mais comuns são otites (infecções) ou lesões nos ouvidos, problemas metabólicos ou doenças que afetam o sistema auditivo e, ainda, problemas na articulação temporomandibular (ATM). “Além disso, pode ser em razão da perda auditiva, não necessariamente relacionada ao envelhecimento”, sinaliza. O zumbido também pode ser resultado do acúmulo de cera (cerume) no canal auditivo.
A alimentação e o comportamento também influenciam na manifestação. De acordo com o especialista, o estresse, o ambiente silencioso, a ingestão de cafeína e o consumo excessivo de carboidratos são fatores associados. “Até mesmo a posição da cabeça e do pescoço podem impactar diretamente o quadro, tornando-o mais estável ou alarmante”, relata. Embora cada paciente tenha uma experiência diferente com esse incômodo, o zumbido pode ser um alerta do organismo para outros problemas, por exemplo, condições neurológicas.
Cuidados
Quando o ruído passa a ser persistente, incômodo e afetar a qualidade de vida é preciso buscar orientação de um especialista. “Além dos ruídos constantes, é essencial verificar se há sintomas associados como tontura, perda de audição, dor de cabeça, insônia, quedas, dores na mandíbula ou incômodo com sons ambientes”, orienta o especialista. A busca por um tratamento também é importante, pois o ruído pode causar ansiedade, depressão ou dificuldade de concentração.
O zumbido pode ser curado nos casos em que a causa for identificada como, por exemplo, cerume impactado, infecções ou efeitos colaterais de medicamentos. Já nos casos crônicos, especialmente quando associados à perda auditiva, não há uma cura definitiva. Entretanto, existem tratamentos e estratégias para reduzir o incômodo e melhorar a qualidade de vida. “Aparelhos auditivos, terapia sonora, terapia cognitivo-comportamental e técnicas de relaxamento são algumas opções para aliviar o impacto desse sintoma na qualidade de vida”, conclui.

