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Transtorno do Espectro Autista

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Transtorno do espectro autista na vida adulta

Escrito por: Fernanda Ortiz

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por comportamentos repetitivos, interesses restritos e dificuldades na comunicação e interação social. Embora os sinais sejam mais claros na infância, para muitas pessoas o diagnóstico do TEA só é identificado na vida adulta. Isso ocorre, muito provavelmente, pelo fato de esses indivíduos não manifestarem características moderadas ou severas próprias do transtorno.

O diagnóstico precoce do Transtorno do Espectro Autista desempenha um papel fundamental no tratamento e na melhoria da qualidade de vida. Desta forma, compreender o transtorno previamente permite que as famílias e os profissionais de saúde implementem estratégias de suporte e tratamentos específicos, adaptados às necessidades individuais. Como existem diferentes níveis de suporte do TEA, algumas pessoas diagnosticadas com o transtorno conseguem viver de forma independente, enquanto outras necessitam de apoio contínuo ao longo da vida.

Níveis de suporte

De acordo com o médico neurologista Flávio Sallem, do Hospital Japonês Santa Cruz, em São Paulo, o Transtorno do Espectro Autista é classificado em três níveis de acordo com o grau de suporte necessário. O nível 1 apresenta dificuldades leves, mas perceptíveis em interações sociais. No nível 2 observa-se desafios mais evidentes na comunicação e comportamento, necessitando apoio substancial. “Já no nível 3 há comprometimento severo na linguagem, interação e flexibilidade comportamental, exigindo apoio muito substancial”, descreve.

Identificação tardia

As características do TEA podem ser identificadas durante a primeira infância. Entretanto, em alguns casos o diagnóstico só ocorre anos mais tarde, quando a pessoa já está na fase adulta. “Pessoas com TEA de nível 1 frequentemente só são diagnosticadas anos mais tarde, pois seus sinais são mais sutis e podem ter sido mascarados por estratégias de compensação social”, detalha o especialista.

Mesmo que sejam pessoas altamente funcionais e com boa capacidade de se adaptar a diferentes situações, podem apresentar certos sintomas que afetam sua capacidade linguística, realização de tarefas e interação social. “Isso ocorre porque o autismo impacta a compreensão de sutilezas sociais, a fluência nas conversas, a adaptação a mudanças de rotina e a construção de vínculos afetivos”, pontua o neurologista.

O diagnóstico do TEA é essencialmente clínico, ou seja, envolve a avaliação dos sinais e sintomas apresentados pelo paciente. De acordo com o quadro, também podem ser realizadas avaliações neuropsicológicas e o uso de escalas padronizadas. O médico avalia, ainda, que a ausência de diagnóstico e de acompanhamento terapêutico adequados pode aumentar a exclusão social e agravar o sofrimento psíquico, ansiedade, depressão e sensação de inadequação.

Além disso, as crises podem se tornar mais frequentes. “Episódios de crises, mesmo que muito sutis em autistas de nível 1, ocorrem por sobrecarga sensorial, emocional ou social”, observa o médico neurologista. Entre os sintomas associados podem ocorrer irritabilidade intensa, mutismo temporário, isolamento, ataques de ansiedade ou colapsos silenciosos.

Suporte

O suporte à pessoa autista deve ser multidisciplinar para garantir um desenvolvimento pleno e inclusivo. “Na saúde, é fundamental oferecer diagnóstico precoce, terapias especializadas e acompanhamento médico contínuo”, salienta o especialista. No âmbito educacional, a adaptação pedagógica e a inclusão escolar são essenciais para a aprendizagem e a socialização. Já no mercado de trabalho é necessário promover oportunidades adaptadas e capacitação profissional.

Além disso, a assistência social desempenha um papel importante ao fornecer benefícios e apoio às famílias, garantindo o acesso aos recursos para uma melhor qualidade de vida. O neurologista conclui que, para muitas pessoas, o diagnóstico do TEA na vida adulta pode ser libertador. “Ao fornecer respostas para perguntas que perduraram por anos, o diagnóstico ajuda a entender por que algumas situações pareciam mais desafiadoras”, pontua. Desta forma, possibilita o autoconhecimento e permite que o indivíduo compreenda melhor a si mesmo, suas necessidades e limitações.

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