Doenças oculares são amplamente debatidas, principalmente pelos riscos associados com a perda progressiva da visão. Entretanto, a região das pálpebras também está sujeita a patologias e merece cuidados contínuos, pois funciona como janelas que protegem os olhos de invasores externos. Alterações como inchaço, vermelhidão, dor ou mudanças na forma podem ser um indicativo de problemas que demandam atenção. Para evitar complicações, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais.
De acordo com a oftalmologista Mariana Davi, especialista em pálpebras do Vera Cruz Oftalmologia, em Campinas (SP), a região das pálpebras é vulnerável a diversas doenças que podem afetar a visão e a saúde ocular. Entre as condições mais comuns estão a blefarite, inflamação da borda das pálpebras; o terçol e o calázio, causados por obstruções nas glândulas locais. “Além disso, pode ocorrer a ptose, que é a queda da pálpebra, o excesso de pele chamado de dermatocalase e os tumores palpebrais, que podem ser benignos ou malignos”, acentua.
Ademais, as pálpebras podem ser afetadas por problemas secundários associados a alergias ou doenças crônicas. Os mais comuns são rinite alérgica, dermatite atópica (eczema) e rosácea, doença inflamatória crônica da pele que afeta principalmente a face. A especialista destaca que essas condições podem agravar a inflamação das pálpebras e causar sintomas como vermelhidão, inchaço, coceira e descamação da pele.
Diagnóstico precoce
Independentemente da condição, sintomas como coceira, vermelhidão, inchaço, inflamação ou alterações nas pálpebras devem ser investigados. “O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para melhorar os sintomas e prevenir complicações na saúde ocular”, comenta a oftalmologista.
O diagnóstico de doenças das pálpebras geralmente envolve um exame oftalmológico completo para medir a abertura e observar qualquer anomalia ou sintoma. Em alguns casos, exames adicionais como lâmpada de fenda, coleta de amostras para análise laboratorial, testes de alergias ou exames neurológicos podem ser necessários para identificar a causa da doença.
Terçol x calázio
Apesar de terem como causa uma obstrução nas glândulas, o terçol e o calázio possuem características individuais. O terçol é uma infecção aguda e dolorosa, que geralmente se manifesta com vermelhidão e a presença de pus (como se fosse uma espinha na pálpebra). “O calázio, por sua vez, é uma inflamação crônica que forma um nódulo cístico (bolinha com conteúdo dentro) mais firme e geralmente indolor”, descreve a médica.
A linha terapêutica, ainda que individualizada, é similar para ambas as condições. Assim, o tratamento poderá incluir aplicação de calor úmido, uso de colírios ou pomadas antibióticas. “Em alguns casos, pode ser necessária indicação cirúrgica para drenar o terçol ou o calázio cirurgicamente”, sinaliza a especialista.
Lesões demandam atenção
Lesões nas pálpebras devem ser investigadas quando há crescimento rápido, mudança de cor, sangramento ou dificuldade de cicatrização. De acordo com a médica, essas características podem ser sinais de um tumor maligno como o carcinoma basocelular, muito comum na região das pálpebras. “Portanto, se houver suspeita é fundamental procurar um oftalmologista para avaliação”, recomenda. Os principais fatores de risco para o câncer de pele na pálpebra incluem exposição ao sol sem proteção, histórico familiar de câncer de pele e idade mais avançada.
Cuidados são essenciais
- Lave as pálpebras e a região ao redor dos olhos com água fria e produto neutro (xampu infantil, sabonete neutro ou solução específica para higiene ocular)
- Maquiagens devem ser removidas completamente ao final do dia, de preferência com um produto demaquilante adequado
- Se possível, evite maquiagens à prova d’água. O fato de dificultarem a remoção aumenta o risco de irritação na região
- Na presença de secreções ou descamação de pele, limpe os cílios com produto adequado pelo especialista usando algodão ou gaze
- Evite esfregar os olhos com as mãos, pois podem espalhar bactérias e causar irritação
- Caso sinta os olhos ressecados, especialmente em ambientes com ar-condicionado ou ventiladores, o uso de colírios lubrificantes (indicados pelo oftalmologista) é uma boa solução
- Cosméticos (hidratantes, sabonetes, maquiagens ou demaquilantes) que causem reações alérgicas – mesmo que mínimas – devem ser suspensos

