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Microbiota intestinal e sistema imunológico

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Modulação imunológica na infecção por poliomavírus

Escrito por: Fernanda Ortiz

Os poliomavírus fazem parte de uma família de vírus que possuem um genoma de DNA circular de fita dupla e são conhecidos por estabelecer infecções persistentes, especialmente em indivíduos imunocomprometidos. Embora sejam estudados no contexto de reativação viral e imunossupressão, recentemente um estudo de revisão conduzido por pesquisadores italianos analisou as interações entre poliomavírus, microbiota intestinal e sistema imunológico. Para os cientistas, o conhecimento dessas interações pode oferecer novos caminhos para mitigar a gravidade das doenças e melhorar os resultados durante a reativação viral.

Infecções por poliomavírus, particularmente em indivíduos imunocomprometidos, representam um desafio clínico complexo. De acordo com os cientistas, isso ocorre não apenas pelo estado imunológico, mas também pela diversidade da microbiota intestinal. “Evidências na literatura indicam que metabólitos derivados da microbiota intestinal, especialmente ácidos graxos de cadeia curta, modulam as vias imunológicas essenciais”, observam. Com isso, podem influenciar a latência viral, a replicação e o escape imunológico. Outros achados apontam, ainda, que a própria infecção por poliomavírus pode induzir disbiose, desestabilizando ainda mais o equilíbrio imunológico.

Estratégias de manejo e combate

Atualmente, nenhum medicamento antiviral demonstra eficácia clínica consistente contra o poliomavírus. Consequentemente, o manejo dessas infecções depende amplamente de abordagens imunoterapêuticas e cuidados de suporte. “Dada a complexa relação entre a microbiota intestinal e o sistema imunológico, ambos influenciando significativamente a patogênese do poliomavírus, a manipulação terapêutica da microbiota vem se destacando como uma área promissora”, destacam os autores. Portanto, identificar mecanismos centrados na microbiota para aprimorar o manejo de doenças associadas ao poliomavírus é fundamental.

O transplante de microbiota fecal (TMF), por exemplo, tem sido proposto para restaurar a microbiota intestinal saudável em pacientes com disbiose, melhorando potencialmente as respostas imunológicas a infecções virais. “Ao restaurar a homeostase microbiana, essa intervenção pode melhorar a modulação imunológica e aumentar a eficácia de terapias antivirais, incluindo aquelas direcionadas a infecções por poliomavírus”, destacam.

Apesar da correlação conhecida entre poliomavírus e a microbiota intestinal, atualmente não existe um protocolo diagnóstico padronizado para rastrear e monitorar com precisão o microbioma intestinal de indivíduos afetados. “A complexidade biológica do microbioma, sua heterogeneidade interindividual e a ausência de métodos analíticos padronizados seguem como barreiras significativas à integração clínica de estudos de microbioma”, enfatizam os autores.

Resultados

Entre os achados do estudo observou-se que alterações na composição da microbiota intestinal – especialmente em táxons bacterianos – podem sinalizar mudanças imunológicas sistêmicas, facilitando a reativação viral. No poliomavírus de células de Merkel (MCPyV), por exemplo, biomarcadores microbianos podem servir como indicadores precoces do aumento da atividade viral.  “Isso ajudaria na identificação de tecidos cutâneos imunocomprometidos, como a conjuntiva anoftálmica”, citam.

De acordo com os autores, a incorporação do perfil do microbioma na prática clínica ofereceria, portanto, uma ferramenta longitudinal não invasiva para rastrear flutuações microbianas. Além do diagnóstico, a integração de dados do microbioma com parâmetros virológicos pode aprimorar a estratificação de risco para populações vulneráveis ​​(transplantados ou indivíduos com HIV), e apoiar estratégias de monitoramento mais personalizadas.

Os autores evidenciam, ainda, que a identificação de assinaturas microbianas associadas à resiliência imunológica pode abrir caminho para novas terapias. “Intervenções como probióticos, prebióticos ou simbióticos podem ajudar a modular a microbiota intestinal para suprimir infecções virais persistentes”, analisam.

Perspectivas

Para os autores, pesquisas futuras devem se concentrar em esclarecer como alterações específicas da microbiota influenciam as respostas imunológicas, assim como a dinâmica viral em doenças associadas ao poliomavírus. “A melhor compreensão dessas interações será fundamental para fortalecer as defesas antivirais, melhorar os desfechos clínicos e desenvolver intervenções clínicas seguras e eficazes”, acentuam. O artigo ‘Immune modulation by microbiota and its possible impact on Polyomavirus infection’ foi publicado em maio de 2025 no periódico MDPI.

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