A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adultos consumam pelo menos 400 gramas de vegetais e frutas por dia devido aos benefícios à saúde. Entre as opções mais nutritivas, as frutas vermelhas se destacam tanto pelos nutrientes essenciais quanto por compostos bioativos, como flavonoides e polissacarídeos.
Embora a microbiota intestinal desempenhe um papel crucial no metabolismo e na fisiologia humana, a interação entre as frutas vermelhas e a atividade da microbiota intestinal humana permanece inconclusiva. Por isso, pesquisadores chineses realizaram uma revisão científica que resume os efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e reguladores de várias frutas vermelhas na microbiota intestinal.
De acordo com os cientistas, as frutas vermelhas comprovadamente têm benefícios para doenças induzidas por estresse oxidativo por serem excelentes fontes de antioxidantes naturais. Dentre os exemplos estão envelhecimento, distúrbios cardiovasculares associados à inflamação, câncer e, mais notavelmente, distúrbios neurodegenerativos.
Pequenas e poderosas
Nos últimos anos, os antioxidantes ganharam atenção no campo dos benefícios à saúde. “Há evidências crescentes mostrando que as frutas vermelhas, especialmente morangos e framboesas, têm um nível notavelmente alto de propriedades antioxidantes”, informam os autores. Além disso, os compostos fenólicos, especialmente as antocianinas, têm uma grande contribuição para a capacidade antioxidante dessas frutas.
Um estudo mostra que as frutas vermelhas exibem efeitos anti-inflamatórios ao inibir respostas inflamatórias, ação atribuída aos seus compostos bioativos como polifenóis e compostos voláteis. “Outros estudos indicam que as frutas vermelhas podem funcionar como prebióticos, promovendo o crescimento de bactérias benéficas como Bifidobacterium, Lactobacillus e Akkermansia”, informam os autores.
Resultados encontrados
“As características antioxidantes das frutas vermelhas são benéficas para controle da obesidade, especialmente os danos causados por adipócitos inflamatórios”, resumem os autores. Ademais, a suplementação de amoras silvestres protege contra o desenvolvimento de inflamação metabólica e inibe distúrbios do metabolismo de lipídios e glicose.
Além disso, a suplementação de framboesa pode reduzir o tamanho das células de gordura ao escurecer os adipócitos brancos e dotá-los com algumas características adiposas marrons. “Dessa forma, contribuem para a perda de peso e melhoram a sinalização da insulina”, acrescentam.
Evidências crescentes sugerem, ainda, que fatores dietéticos afetam diretamente a etiologia do diabetes tipo 2 por meio da modulação dos níveis de glicose no sangue, sensibilidade à insulina, esteatose hepática, inflamação ou microbioma intestinal. “Há evidências de que o consumo de frutas vermelhas pode reduzir o risco deste tipo de diabetes, melhorar a manutenção do peso e proporcionar declínio neurológico”, ressaltam os autores.
Apesar de a revisão apontar vários benefícios, os autores afirmam que mais estudos de intervenção padronizados são necessários para explorar como a aplicação de frutas vermelhas pode ser promissora para a microbiota intestinal e a saúde. O artigo de revisão ‘Berries: health effects via modulation of the gut microbiota’ foi publicado na Food Frontiers em fevereiro de 2025 – doi: doi.org/10.1002/fft2.542.
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