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Transplante de microbiota fecal

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Transplante de microbiota fecal no câncer colorretal

Escrito por: Elessandra Asevedo

O transplante de microbiota fecal pode ser uma estratégia promissora para restaurar o equilíbrio intestinal. Além disso, tem o potencial de fortalecer a função imunológica e melhorar os resultados do tratamento do câncer colorretal. A doença continua sendo uma das principais causas de mortalidade por câncer em todo o mundo. Ademais, possui taxas de incidência previstas para aumentar significativamente até 2040.

Os tratamentos padrão para o câncer colorretal, incluindo cirurgia, radioterapia e quimioterapia, são amplamente utilizados. A quimioterapia, embora inicialmente eficaz em retardar o crescimento tumoral, apresenta efeitos colaterais graves. Com o tempo, as células tumorais podem desenvolver resistência ao recurso quimioterápico, reduzindo a eficácia, aumentando a atividade de reparo do DNA e levando à falha do tratamento.

Já a radioterapia, embora benéfica, interrompe a microbiota intestinal e prejudica a capacidade do intestino de reparar danos induzidos pela radiação. Assim, pode levar a efeitos adversos e limitar a eficácia. Enquanto isso, o transplante de microbiota fecal oferece uma alternativa potencial para abordar essas questões, restaurando o equilíbrio da microbiota intestinal.

Revisão bibliográfica

Em doenças gastrointestinais não cancerosas, o transplante de microbiota fecal é um tratamento eficaz para infecção recorrente por Clostridium difficile. Essa comprovação levou à aprovação do uso da terapia pelo Food and Drug Administration (FDA) – órgão regulador de medicamentos e alimentos dos Estados Unidos. Atualmente, esta é a única indicação para usar esse transplante em pacientes.

Embora a técnica ainda não tenha sido usada diretamente para tratar o câncer colorretal, cientistas sugerem que a disbiose induzida por radiação e os efeitos colaterais gastrointestinais durante a quimiorradioterapia podem ser revertidos pelo tratamento com o transplante de microbiota fecal. Assim, pesquisadores chineses realizaram uma revisão científica que explora os mecanismos subjacentes ao potencial terapêutico do transplante de microbiota fecal.

Além disso, os autores avaliam as vantagens em relação a outras intervenções baseadas na microbiota e abordam os desafios como seleção de doadores, questões de segurança e padronização do tratamento. “Olhando para o futuro, a integração deste tipo de transplante em terapias personalizadas para o câncer colorretal requer ensaios clínicos robustos e a identificação de biomarcadores preditivos para otimizar sua eficácia e segurança”, pontuam.

Conclusões

De acordo com os autores, o transplante de microbiota fecal possui potencial transformador na terapia do câncer colorretal. A técnica pode remodelar a microbiota intestinal para restaurar o equilíbrio microbiano, mitigar a inflamação induzida pela disbiose e reprogramar o microambiente tumoral imunossupressor. “Esses efeitos suprimem os sinais promotores de tumores e também aumentam as respostas imunes antitumorais, posicionando o transplante como uma ferramenta poderosa para melhorar os resultados do tratamento deste tipo de câncer”, detalham

No entanto, a real importância clínica do transplante reside no potencial para personalizar a terapia do câncer. “Isso ocorre abordando a disbiose como um fator de risco modificável e melhorando a eficácia de tratamentos padrão, como quimioterapia, radioterapia e imunoterapia”, acentuam. O sucesso, entretanto, depende da superação de desafios importantes.

Entre os exemplos estão incluir a identificação de biomarcadores robustos para prever a resposta ao tratamento, padronizar os critérios de seleção de doadores e alavancar ferramentas avançadas para otimizar a composição da microbiota e a compatibilidade de doadores.

“Ademais, é essencial estabelecer protocolos padronizados para preparação, administração, controle de qualidade e monitoramento do transplante para, assim, garantir segurança, eficácia e reprodutibilidade em diversos cenários clínicos”, relatam. Para os autores, esforços futuros devem se concentrar em ensaios clínicos bem delineados e em larga escala para validar a eficácia terapêutica.

Além disso, esses ensaios visam elucidar o impacto de longo prazo e avaliar a adequação para diferentes estágios do câncer colorretal. “Os estudos devem incluir pacientes em estágio inicial, nos quais a modulação da microbiota pode reduzir o risco de progressão, e pacientes em estágio avançado que requerem suporte adjuvante para terapias imunológicas”, acreditam.

De acordo com os autores, a integração deste modelo de transplante em estratégias personalizadas de tratamento deve ser apoiada por inovações como edição precisa do microbioma, modelagem computacional e bioinformática avançada. Dessa forma, oferecerá uma abordagem transformadora para melhorar os resultados dos pacientes.

“Ao abordar lacunas fundamentais na tradução clínica como padronização de protocolos, critérios de seleção de pacientes e estudos longitudinais de segurança, a técnica pode evoluir de uma terapia experimental para um pilar fundamental dos tratamentos deste câncer baseados na microbiota”, finalizam. O artigo ‘Therapeutic potential of fecal microbiota transplantation in colorectal cancer based on gut microbiota regulation: from pathogenesis to efficacy’ foi publicado em março de 2025 no Sage Journals.

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