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Gestação de alto risco

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Cuidados com a gestação de alto risco

Escrito por: Fernanda Ortiz

A gestação é um momento muito especial na vida de uma mulher. Apesar de ocorrer sem complicações para a maioria das mulheres, dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 15% delas se enquadram na chamada gestação de alto risco. Ocasionada em decorrência de uma condição médica preexistente ou que se desenvolva durante a gravidez, essa condição pode colocar em perigo a saúde e a vida da mãe e do bebê. Ainda que seja uma condição delicada, o pré-natal adequado e o acompanhamento com profissional especializado possibilitam que a maioria dos casos evolua positivamente.

De acordo com o médico obstetra Elton Ferreira, coordenador do Pré-Natal de Alto Risco do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), uma gestação é considerada de alto risco quando envolve condições médicas que aumentam a probabilidade de problemas de saúde antes, durante ou após o parto. E isso vale tanto para a mãe quanto para o bebê. Os fatores de risco incluem idade materna (acima de 35 ou abaixo de 17 anos), doenças crônicas como diabetes ou hipertensão, doenças da tireoide, gemelaridade ou complicações de gestações anteriores. “Além disso, gestações pós fertilização in vitro (FIV) ou condições que surgem durante a gravidez, como a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia, podem interferir neste quadro”, observa.

Diagnóstico e monitoramento contínuo

Geralmente, o diagnóstico ocorre durante o pré-natal de rotina. “Já na primeira consulta é fundamental a avaliação do histórico médico. Através dele será possível identificar condições preexistentes e outros fatores de risco que possam afetar a gravidez e, consequentemente, a saúde da mãe e do bebê”, observa o especialista. Por isso, essa avaliação deve ser integral e continuada ao longo de todo o pré-natal. Nos casos de alto risco, as consultas são mais frequentes quando comparadas à assistência ao pré-natal de risco habitual. Isso permite um monitoramento contínuo rigoroso e uma intervenção oportuna em caso de complicações.

O especialista comenta, ainda, que existem diversas estratégias para analisar o bem-estar da mãe e do bebê durante o período gestacional. “Durante a consulta de pré-natal avaliamos o tamanho do útero (altura uterina), movimentos e batimentos cardíacos do bebê, a saúde integral da mãe e os cuidados com a alimentação”, destaca. Ademais, é importante a realização de exames como a cardiotocografia e a ultrassonografia. O médico informa que, com o pré-natal adequado, a maioria das gestações de alto risco evolui bem. Mas, para isso, é imprescindível que essas gestantes sejam acompanhadas por um profissional especializado no atendimento de alta complexidade.

Tópicos importantes

Avaliação preliminar – Para mulheres que estão tentando engravidar é recomendado realizar uma avaliação pré-concepcional. Nessa consulta, o médico poderá esclarecer dúvidas, solicitar exames, iniciar suplementação de ácido fólico, controlar doenças já existentes e orientar a substituição de medicações que não devam ser usadas durante a gestação.

  • Segurança no parto – Em casos de gestação de alto risco, a estratégia para determinar o momento mais seguro para o parto deve considerar fatores individuais. Dentre eles estão a doença apresentada e se está ou não controlada, idade gestacional e riscos para a mãe ou para prematuridade. O médico lembra a importância de que toda a conduta tenha embasamento científico e que seja amplamente discutida, esclarecida e compartilhada com a gestante e eventual parceiro(a).
  • Pré-eclâmpsia é o principal fator de risco – Causada pela elevação da pressão arterial, geralmente após 20 semanas de gravidez, é um dos principais fatores de risco para complicações. O médico explica que, associada ao acometimento de um ou mais órgãos/sistemas, é uma doença frequente e perigosa, que necessita de um pré-natal cuidadoso. Todas as pacientes diagnosticadas com hipertensão arterial na gravidez – seja crônica, gestacional ou pré-eclâmpsia – devem ser imediatamente encaminhadas para um serviço especializado de referência.
  • Estratégias de prevenção contra a pré-eclâmpsia – Para as gestantes que apresentam fatores de risco, o médico pode prescrever medicações e suplementações no início do acompanhamento pré-natal (a partir de 12 semanas), como o ácido acetilsalicílico (AAS). Atualmente, o cálcio é indicado para todas as gestantes, independente de fatores de risco. Contudo, apesar de o uso dessas substâncias reduzir o risco de pré-eclâmpsia, não elimina por completo. Por isso, é preciso atenção contínua. Além disso, alimentação adequada e prática de atividade física regular – para as mulheres que não apresentem contraindicações – contribuem para prevenir o desenvolvimento da patologia.
  • Diabetes gestacional A maioria das pacientes com esse diagnóstico consegue controlar a doença com a adoção de dieta equilibrada e atividade física regular. Quando essas medidas são insuficientes, algumas medicações podem ser prescritas – a exemplo da insulina. Portanto, a monitorização das glicemias, assim como uma vigilância rigorosa do bem-estar do bebê, serão cuidados indispensáveis durante toda a gravidez.
  • Atenção multidisciplinar O médico afirma que a atuação de especialidades diversas é fundamental para uma abordagem holística e integral da saúde da gestante, visando prevenção, diagnóstico precoce e manejo adequado das condições que possam surgir. A atenção multidisciplinar permite que diferentes perspectivas sejam consideradas, integrando conhecimentos e técnicas de várias áreas da saúde. Isso resulta em uma assistência mais completa e personalizada.

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