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Cirurgia bariátrica

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Mitos sobre a cirurgia bariátrica

Escrito por: Fernanda Ortiz

A gastroplastia, também conhecida como cirurgia bariátrica ou redução de estômago, é um procedimento cirúrgico recomendado para tratar problemas relacionados à obesidade. De acordo com o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, a obesidade foi responsável por 45.310 mortes no Brasil entre 2010 e 2024. Assim, os dados destacam sua relevância como um problema de saúde pública. Quando bem indicada e realizada com acompanhamento adequado, a cirurgia pode melhorar consideravelmente a qualidade de vida dos pacientes. Entretanto, seu sucesso depende do cuidado permanente com a saúde, o que inclui acompanhamento médico regular e mudanças no estilo de vida.

A cirurgia bariátrica é indicada para pacientes com índice de massa corporal (IMC) elevado e/ou que apresentam comorbidades relacionadas à obesidade, a exemplo de diabetes tipo 2 e hipertensão. “O procedimento tem por objetivo reduzir o tamanho do estômago, restringindo a ingestão de alimentos e, consequentemente, a absorção de calorias, levando à perda de peso”, explica o gastroenterologista Lucas Nacif, professor coordenador de Pós-graduação em Gastroenterologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

De acordo com o especialista, existem dois tipos de procedimento: o bypass gástrico e a gastrectomia vertical (sleeve), cada um com suas particularidades na forma como alteram o sistema digestivo. “Ambas as opções apresentam resultados satisfatórios e devem ser indicadas pelo médico especialista de acordo com as características individuais do paciente”, afirma. Entretanto, é importante ressaltar que a cirurgia bariátrica é parte de um tratamento abrangente que envolve mudanças no estilo de vida e acompanhamento psicológico, nutricional e endocrinológico.

Portanto, mais do que uma simples cirurgia, seu sucesso está atrelado a um compromisso contínuo com a saúde. “Caso contrário, os resultados obtidos podem ser perdidos no curto prazo”, observa o gastroenterologista, que também é membro da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Embora seja um procedimento bastante comum, a cirurgia bariátrica é cercada por diversos mitos que geram medo e desinformação. Muitas pessoas, inclusive, hesitam em realizá-la ou fazem comentários negativos baseados em informações equivocadas.

Derrubando mitos

A cirurgia bariátrica resolve o problema da obesidade de forma definitiva
Apesar de muito eficaz para a perda de peso, o sucesso do procedimento no longo prazo depende do comprometimento do paciente. Isso inclui acompanhamento médico regular, cuidados com a saúde mental e mudanças no estilo de vida, como alimentação saudável e a prática regular de atividades físicas. Caso esses hábitos não sejam mantidos, o peso pode ser recuperado em pouco tempo.

O procedimento é perigoso e só deve ser realizado em casos extremos
A cirurgia bariátrica é segura e tem altos índices de sucesso, mas deve ser realizada por um profissional qualificado e com a devida preparação. O procedimento é indicado para pacientes com obesidade grave ou comorbidades associadas, não sendo restrita apenas a casos extremos.

Quem faz bariátrica não pode engravidar no futuro
A cirurgia não é um impeditivo para a gravidez. No entanto, é recomendado aguardar pelo menos 12 meses após o procedimento antes de engravidar, para que o corpo se estabilize e a paciente atinja um peso saudável. Com acompanhamento médico adequado e uma alimentação balanceada é possível ter uma gestação segura e saudável após a bariátrica.

Após a cirurgia bariátrica, não é necessário praticar exercícios físicos
A prática de atividades físicas é essencial para o ganho de massa magra após a cirurgia. O exercício ajuda a evitar a perda excessiva de músculo, acelera o metabolismo e melhora a composição corporal. Além disso, contribui para a manutenção do peso no longo prazo e para a saúde geral do paciente.

Depois da bariátrica a pele volta ao normal sozinha, sem necessidade de cirurgia
Após uma grande perda de peso é comum haver flacidez, sobretudo em áreas como abdômen, braços e coxas. Embora exercícios físicos e uma boa alimentação ajudem a melhorar a tonicidade muscular, em muitos casos a remoção do excesso de pele exige cirurgia plástica reparadora.

Novas regras ampliam indicações

Recentemente, a Resolução nº 2.429/2025 do Conselho Federal de Medicina (CFM) atualizou as regras para realização da cirurgia bariátrica em adultos e adolescentes, com base em recentes evidências científicas e diretrizes internacionais. Entre as mudanças mais relevantes está a ampliação das indicações para pacientes com IMC entre 30 e 35 que convivem com doenças como diabetes tipo 2 de difícil controle, apneia do sono grave, esteatose hepática com fibrose, doença cardiovascular ou osteoartrose severa. Antes, a cirurgia era indicada apenas para obesidade grau III (IMC≥40) ou grau II (IMC≥35) associada a comorbidades.

Além disso, a resolução permite a realização do procedimento em adolescentes a partir dos 14 anos, nos casos de obesidade grave com complicações clínicas. Para isso, é exigida avaliação da equipe multidisciplinar e consentimento dos responsáveis. Segundo o CFM, cerca de 60% das crianças obesas tendem a atingir a obesidade mórbida na vida adulta, o que reforça a importância da intervenção precoce.

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