Descrita por uma protusão (escape) parcial ou total de um órgão ou de seu revestimento através das camadas de tecido abdominal, a hérnia abdominal chega a afetar entre 20% e 25% dos adultos no Brasil – cerca de 28 milhões de pessoas. De acordo com levantamento da Sociedade Brasileira de Hérnia (SBH), em 2024 foram realizadas 349.968 cirurgias através do Sistema Único de Saúde (SUS). Apontada como uma das principais causas de afastamento do trabalho, a condição ocorre em decorrência de problemas congênitos ou adquiridos na parede muscular do abdômen. Sem o tratamento adequado, a situação pode evoluir e causar complicações que comprometem a saúde e a qualidade de vida.
De acordo com o cirurgião geral e do aparelho digestivo Gustavo Soares, presidente da SBH, as hérnias são caracterizadas por uma abertura na musculatura abdominal que permite a passagem de parte de órgãos ou de gordura. “Isso ocorre em consequência de um problema congênito ou pode estar associada a condições que deixam a parede abdominal fragilizada e/ou aumentam excessivamente a pressão intra-abdominal, como cirurgia prévia, gestação, obesidade e idade avançada”, descreve.
Existem diferentes tipos de hérnia abdominal. Dentre elas estão a inguinal (virilha), umbilical, epigástrica (acima do umbigo) e incisional, que atinge o local da cicatriz de uma cirurgia anterior. O médico comenta que, em casos iniciais, a hérnia é pequena e provoca apenas desconfortos leves. Entretanto, com o tempo pode evoluir para manifestações mais intensas. “Alguns sintomas merecem atenção especial, como a presença de abaulamento no abdômen ou na virilha; dor ou desconforto no local, principalmente durante a prática de atividades físicas, e melhora dos sintomas com o repouso”, enumera.
Diagnóstico e tratamento precoces
O ideal é que, ao sinal dos primeiros desconfortos ou sintomas, o indivíduo busque ajuda médica. De acordo com o médico, quanto antes o diagnóstico e o tratamento tiverem início, maiores serão as chances de evitar complicações e a progressão da condição. “Sem o tratamento adequado, a hérnia tende a progredir de tamanho e apresentar complicações, como o encarceramento e o estrangulamento, quando fica ‘presa’ e não é mais possível empurrá-la de volta para o abdômen”, alerta. O estrangulamento representa uma emergência cirúrgica de alta complexidade, com risco de complicações pós-operatórias.
Segundo o médico cirurgião de parede abdominal Heitor Santos, vice-presidente da SBH, as hérnias não desaparecem sozinhas e a cirurgia é a única terapêutica. “Não existe nenhum tipo de remédio, cinta ou fisioterapia que seja capaz de fechar o espaço aberto na musculatura do paciente, tornando a cirurgia necessária”, enfatiza.
Atualmente o procedimento pode ser feito de forma minimamente invasiva utilizando as plataformas de cirurgia videolaparoscópica ou robótica. O tempo de repouso pós-cirúrgico depende de fatores individuais. De modo geral, a orientação é, de no mínimo, três a cinco dias de descanso. Além disso, deve-se evitar carregar peso ou fazer exercícios abdominais por um período de 30 a 60 dias, a depender de cada caso.

