Os principais sinais e sintomas da doença de Alzheimer incluem problemas de memória, comprometimento cognitivo, dificuldade em completar atividades diárias de rotina, julgamento prejudicado e alterações no humor, personalidade e comportamentos. O comprometimento cognitivo leve, uma enfermidade mais branda caracterizada pelo declínio cognitivo anormal, é um fator de risco conhecido para o desenvolvimento da doença de Alzheimer ou de uma demência relacionada. Estimativas indicam que 15% das pessoas com comprometimento cognitivo leve desenvolvem demência após dois anos.
A doença de Alzheimer e o comprometimento cognitivo leve estão mais comumente associados ao comprometimento da memória e da cognição. Entretanto, os pacientes também apresentam uma série de sintomas físicos, sociais e emocionais que prejudicam o funcionamento diário.
Assim, pesquisadores norte-americanos realizaram pesquisas transversais utilizando dados em larga escala de pacientes e cuidadores com foco na preparação para futuros ensaios clínicos. Esses ensaios deverão envolver indivíduos com doença de Alzheimer, comprometimento cognitivo leve e demência para identificar a prevalência e o impacto médio dos sintomas vivenciados por adultos com essas enfermidades.
“Análises subsequentes foram utilizadas para determinar quais fatores demográficos e específicos da doença estão associados a uma doença mais grave”, pontuam. Os cientistas tiveram a participação de 15 adultos diagnosticados com as demências e 15 cuidadores adultos durante as entrevistas qualitativas. Juntos, os participantes forneceram mais de 2 mil citações exclusivas referentes à carga de sintomas.
O estudo
Os pesquisadores utilizaram perguntas abertas de um guia de entrevista abrangente. Os participantes foram solicitados a identificar os sintomas de doença de Alzheimer que têm o maior efeito em suas vidas ou nas vidas de quem presta cuidados. Assim, uma pesquisa transversal foi implementada com questões sobre os sintomas potenciais de importância, identificados durante as entrevistas qualitativas preliminares.
No total, 433 pessoas – pacientes e cuidadores – participaram da pesquisa transversal, fornecendo mais de 35 mil respostas de classificação de sintomas. Análises subsequentes foram conduzidas para determinar como as características demográficas e específicas da doença se correlacionam com a prevalência do tema sintomático.
“A seleção de perguntas para ambas as pesquisas foi conduzida usando uma abordagem de consenso entre os pesquisadores da equipe”, reforçam os cientistas. Ambas foram projetadas para incluir todos os potenciais sintomas de importância, limitando a redundância das perguntas.
O impacto das doenças
Os temas sintomáticos mais frequentes relatados no estudo transversal por indivíduos com doença de Alzheimer, comprometimento cognitivo leve e demência foram problemas de memória (99%), raciocínio e dificuldades de comunicação. Os pacientes identificaram diminuição da satisfação em situações sociais, fadiga e problemas de memória como os temas sintomáticos de maior impacto.
A prevalência de temas sintomáticos relatados pelos pacientes também esteve fortemente associada à Escala de Rankin Modificada (mRS) para deficiência neurológica. De acordo com os pesquisadores, esses pacientes apresentam uma variedade de sintomas que afetam significativamente suas vidas diárias.
“Os sintomas, muitos subdiagnosticados, têm importância variável para indivíduos com essas doenças e podem orientar potenciais alvos para futuras intervenções terapêuticas”, pontuam os pesquisadores. Além disso, poderão facilitar o desenvolvimento e a validação de medidas específicas de desfechos para cada doença. O estudo ‘Patient and caregiver – reported impact of symptoms in Alzheimer disease, mild cognitive impairment, and dementia’ foi publicado em fevereiro de 2025 no Neurology Journals.

