O envelhecimento do coração envolve uma série de mudanças estruturais e funcionais significativas que, ao passar do tempo, contribuem para o declínio do desempenho desse órgão vital. Para investigar a relação dessas alterações com o envelhecimento cardiovascular precoce, um estudo internacional multicêntrico desenvolveu um modelo de ressonância magnética cardíaca (RMC) automatizado que pode prever a idade funcional do coração. Como resultado, o método pode identificar precocemente pacientes que necessitam de intervenções para fatores de risco.
O estudo de coorte retrospectivo, transversal e multicêntrico observou 563 indivíduos recrutados entre janeiro de 2015 e dezembro de 2023, em cinco centros ao redor do mundo localizados no Reino Unido, em Córdoba, na Espanha, e em Singapura. De acordo com os autores, o objetivo foi investigar as alterações estruturais e funcionais do coração e sua relação com o envelhecimento cardiovascular precoce. “Através da análise de ressonância magnética cardíaca derivada de inteligência artificial, desenvolvemos um modelo capaz de estimar a idade funcional do coração e de revelar quais parâmetros dos átrios e ventrículos (esquerdo e direito) aumentam ou diminuem com o envelhecimento saudável”, explicam.
Biomarcadores associados ao envelhecimento
Entre os achados, os autores destacam os biomarcadores de RMC associados ao envelhecimento cardiovascular acelerado na obesidade, hipertensão, diabetes mellitus (DM) e fibrilação atrial. “Observamos que indivíduos não saudáveis geralmente apresentavam idade funcional do coração 4,6 anos maior do que sua idade cronológica”, descrevem. Assim, é 4 anos maior em indivíduos com obesidade grau I, 5 a mais em indivíduos com obesidade grau II e 45 anos maior em indivíduos com obesidade grau III.
Pacientes com hipertensão apresentaram envelhecimento precoce até a sétima década de vida. Os indivíduos com diabetes mellitus apresentaram inicialmente uma idade funcional do coração exagerada na terceira década de vida, com aumento acentuado na quarta década antes de diminuir gradualmente nas duas seguintes. Já os pacientes com fibrilação atrial apresentaram uma idade cardíaca funcional derivada da ressonância magnética cardíaca significativamente maior em todas as décadas de vida.
Resultados
Os resultados são consistentes com estudos anteriores que propuseram métodos para estimar a idade biológica do coração e prever desfechos clínicos. Esses dados incluem metilação do DNA e comprimento dos telômeros, raça e sexo, ecocardiografia Doppler padrão profunda e modelos de aprendizado profundo usando eletrocardiograma, tomografia computadorizada cardíaca e ressonância magnética cardíaca. “Nossos achados são, portanto, consistentes com relatos que sugerem que fatores de risco modificáveis contribuem para o envelhecimento cardiovascular precoce, provavelmente devido ao aumento da sobrecarga no sistema cardiovascular”, avaliam.
Limitações
Por ser retrospectivo, o estudo é potencialmente suscetível a viés de sobrevivência, o que pode atenuar o efeito das comorbidades em idades mais avançadas. Os autores acrescentam, ainda, que a duração da comorbidade também não foi mensurada, o que pode gerar heterogeneidade no tempo de exposição na coorte com comorbidades. “Outras características mais sutis, incluindo dieta, nível socioeconômico e prática de exercícios físicos não foram avaliadas, o que resultaria em diferenças reduzidas entre os controles saudáveis e com comorbidades”, consideram.
Conclusão
De acordo com os autores, ao destacar a evolução temporal das alterações estruturais e fisiológicas no coração durante o envelhecimento saudável e não saudável o modelo proposto de RMC pode auxiliar na comunicação de alterações sutis na avaliação cardíaca relacionadas ao envelhecimento. O artigo ‘Cardiovascular magnetic resonance imaging markers of ageing: a multi-centre, cross-sectional cohort study’ foi publicado em maio de 2025 no periódico European Heart Journalv.

