De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), prematuro é definido como recém-nascido vivo com idade gestacional inferior a 37 semanas. Esses bebês nascem antes de se desenvolverem plenamente e, portanto, podem precisar de cuidados especializados para sobreviver no ambiente externo. Por isso, são frequentemente internados na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), onde recebem cuidados intensivos especializados para garantir a sobrevivência.
Os nascimentos prematuros são classificados com base na idade gestacional. O prematuro extremo nasce com menos de 28 semanas; o muito prematuro nasce entre 28 a menos de 32 semanas, enquanto o prematuro moderado a tardio nasce de 32 a 36 semanas e seis dias. Os recém-nascidos prematuros compartilham semelhanças com o desenvolvimento fetal em relação à maturação e ao desenvolvimento neurocomportamental.
Embora a Unidade de Terapia Intensiva seja um ambiente seguro para bebês, é essencial considerar os diversos procedimentos realizados que podem causar dor, estresse e desconforto. Assim, o impacto da exposição cumulativa a procedimentos relacionados à dor e ao estresse durante o desenvolvimento inicial tem o potencial de influenciar os desfechos do neurodesenvolvimento ao longo da infância. Além disso, pode ocorrer redução da espessura cortical, diminuição da atividade vagal, déficits no desenvolvimento visual-perceptual, menor QI e problemas de comportamento como ansiedade e depressão.
Consequências
Um estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP) comparou os procedimentos estressantes e as estratégias de cuidado na UTI Neonatal com os comportamentos de estresse e de autorregulação de neonatos prematuros. O estudo envolveu grupos diferenciados pela organização ambiental da UTIN. “Os comportamentos relacionados ao estresse devem ser gerenciados por meio de estratégias ambientais que apoiem a regulação do sistema biocomportamental dos neonatos para minimizar o impacto negativo em seu desenvolvimento”, pontuam as pesquisadoras responsáveis pelo estudo.
A amostra foi composta por 20 neonatos prematuros hospitalizados em uma UTIN com modelo de enfermaria aberta e 20 neonatos prematuros hospitalizados em um modelo de quarto unifamiliar. Os procedimentos estressantes foram avaliados pela Escala de Estressores Neonatais (NISS). As estratégias de cuidado ao desenvolvimento e os comportamentos de estresse e autorregulação dos neonatos prematuros foram avaliados por meio de um protocolo observacional estruturado.
“Ambas as UTINs tinham procedimentos estressantes e abordagens de cuidado ao desenvolvimento semelhantes”, relatam as pesquisadoras. No entanto, os neonatos prematuros hospitalizados na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal de quarto unifamiliar exibiram significativamente menos comportamentos de estresse total e especificamente no sistema motor, em comparação com aqueles na enfermaria aberta.
Além disso, os neonatos prematuros hospitalizados na UTIN de quarto unifamiliar exibiram significativamente mais comportamentos de autorregulação total, e especificamente no sistema de estados comportamentais, em comparação com aqueles na enfermaria aberta. “Os resultados mostraram que o modelo de UTIN com quarto unifamiliar foi consistente com a proteção ambiental da regulação biocomportamental em neonatos prematuros hospitalizados na UTIN”, afirmam as autoras.
Melhor desfecho clínico
De acordo com as pesquisadoras, o estudo oferece uma melhor compreensão de como o estresse ambiental e as estratégias de cuidado ao desenvolvimento em UTI Neonatal podem impactar o estresse inicial e os comportamentos de autorregulação de neonatos prematuros internados em diferentes projetos de UTIN.
“Os achados deste estudo podem contribuir para o conhecimento científico do desenvolvimento inicial de neonatos prematuros internados em UTIN, auxiliando em seus cuidados clínicos e prevenindo quaisquer problemas de neurodesenvolvimento a curto e longo prazo”, reforçam. O artigo ‘Stress and self-regulation behaviors in preterm neonates hospitalized at open-bay and single-family room Neonatal Intensive Care Unit’ foi publicado em setembro de 2024 no Infant Behavior and Development.

