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Condições crônicas complexas

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Percepções familiares sobre a hospitalização infantil

Escrito por: Elessandra Asevedo

As crianças com condições crônicas complexas são aquelas que apresentam pelo menos uma doença crônica que resulta em inúmeras limitações funcionais. Em geral, esses pacientes dependem de tecnologia para garantir a sobrevivência, utilizando dispositivos invasivos e diversos medicamentos. Além disso, essas situações exigem cuidados intensivos das famílias e geram alta demanda por serviços de saúde. Mundialmente, estima-se que entre 15% e 20% da população pediátrica esteja nessas condições.

Atualmente, tem sido registrado um aumento de crianças com condições crônicas complexas. Uma das explicações são os avanços nas tecnologias de saúde que permitem aumentar a sobrevivência e, paralelamente, a demanda de um foco maior nessa população. No entanto, na prática clínica é observado um forte foco na criança e pouca visibilidade à sua família, que é intrinsecamente impactada pelo processo de cuidado desses pacientes.

Os cuidadores zelam pelo bem-estar da criança e pela estabilidade familiar, enquanto gerenciam os sintomas, o tratamento, a reabilitação e a progressão da condição. Além disso, são pautados pelas hospitalizações frequentes e prolongadas devido a infecções, exacerbações de condições crônicas ou procedimentos invasivos.

O estudo

Pesquisadores da Escola de Enfermagem e da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (EE/USP) desenvolveram um estudo para compreender a percepção familiar e os impactos emocionais sobre os cuidadores. O foco eram familiares das crianças que permaneceram hospitalizadas em unidades de terapia intensiva por um período prolongado. As entrevistas com os familiares foram realizadas de forma remota ou presencial e avaliadas por meio da análise de conteúdo temática, complementada pela análise lexical.

De acordo com Danton Matheus de Souza, pesquisador e especialista em saúde da criança e do adolescente, o estudo qualitativo, descritivo-exploratório foi fundamentado no interacionismo simbólico. As percepções maternas surgiram a partir de um olhar a todas as interações que ocorriam na vida das famílias, que estavam imersas em um período prolongado de hospitalização e distantes da sua rede de apoio. “Essas famílias renunciam ao seu autocuidado e seus desejos, em meio a uma flutuação entre expectativas de melhora do filho e desesperança pelo agravamento do seu quadro clínico”, relata. Assim, foi possível notar que a hospitalização prolongada trouxe muitas inseguranças e perdas, não só pelo quadro clínico da criança, mas também relacionadas às inúmeras vivências das mães que foram deixadas de lado.

Além disso, há inúmeras incertezas sobre o futuro da criança, levando a uma reorganização da vida cotidiana. “Podemos observar três desfechos com nosso estudo”, acentua o pesquisador. No primeiro, as crianças possuem alta e as famílias precisam se adaptar para receber essas crianças em domicílio. E essas crianças são dependentes de tecnologia e demandam cuidados integrais.

No segundo desfecho, houve a continuidade da hospitalização pela ausência de recursos para lidar com a condição em domicílio, o que levou as mães a continuarem nesse processo de expectativas em meio a um futuro incerto. “E, por fim, ocorre a possibilidade do óbito da criança que, infelizmente, faz com que a família tenha que se readaptar em meio a ausência do filho”, ressalta.

Para o pesquisador, o estudo destaca a necessidade urgente de refletir sobre formas de cuidar das famílias, visando reduzir os impactos vivenciados durante internações prolongadas. O estudo ‘Family perceptions of prolonged hospitalization for children with complex chronic conditions: Between losses and adaptations in an uncertain future’ foi publicado em janeiro de 2025 no Journal of Child Health Care.

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