O aparelho ECMO, ou oxigenação por membrana extracorpórea, é utilizado como pulmão ou coração artificiais. O sistema funciona a partir da retirada e do envio do sangue do corpo do paciente para uma máquina, onde é oxigenado e devolvido. Esse processo permite que os pulmões e/ou o coração descansem, enquanto a condição de base é tratada com foco na reversão do quadro clínico.
O uso dessa tecnologia de ponta tem sido cada vez mais frequente em cirurgias ou na recuperação de pacientes com insuficiência respiratória ou cardíaca grave, inclusive crianças. A técnica ganhou ainda mais relevância durante a pandemia de Covid-19. A técnica era a única alternativa viável para pacientes com comprometimento pulmonar severo, quando os ventiladores mecânicos já não conseguiam mais garantir uma oxigenação eficaz. “A experiência acumulada neste período ampliou a visibilidade da tecnologia e reforçou o papel no tratamento de casos extremos”, explica a médica cardiologista pediátrica Julianne Avelar, do Hospital e Maternidade Sepaco.
Existem dois tipos principais de ECMO, sendo a veno-venosa indicada quando há falência pulmonar isolada. Já a veno-arterial é voltada para pacientes com falência simultânea do coração e dos pulmões. As indicações incluem casos graves de síndrome da angústia respiratória aguda (SARA), infecções por H1N1, pneumonia severa e falência cardíaca aguda, além de suporte no pós-operatório de cirurgias cardíacas complexas.
Restrito a grandes hospitais
Apesar dos avanços, a implementação da oxigenação por membrana extracorpórea ainda é limitada a centros altamente especializados, devido à complexidade do procedimento. “Trata-se de uma tecnologia que exige estrutura hospitalar robusta, equipe multidisciplinar treinada e monitoramento intensivo e contínuo”, acentua a médica.
O alto custo dos equipamentos, a necessidade de profissionais altamente capacitados e o risco de complicações, como sangramentos, infecções e tromboses, tornam o uso da ECMO restrito a hospitais com infraestrutura avançada. De acordo com a médica, isso acentua a desigualdade no acesso, especialmente fora dos grandes centros urbanos.
Entretanto, a tecnologia tem ajudado pacientes de todas idades, até mesmo crianças. O Hospital e Maternidade Sepaco, que realiza cerca de 20 procedimentos com oxigenação por membrana extracorpórea por ano, atendeu uma paciente de um ano de idade que foi diagnosticada com miocardiopatia dilatada e falência cardíaca. “Enquanto aguardava um transplante de coração, a criança ficou quase duas semanas ligada ao aparelho”, relata a médica.
Cartilha de ECMO
O projeto Cartilha de ECMO é uma iniciativa de humanização e educação voltada aos familiares de pacientes submetidos à terapia na UTI pediátrica no Hospital Sepaco. Desenvolvida pelo time de enfermagem especializado, a cartilha tem como objetivo esclarecer as dúvidas dos familiares sobre procedimentos complexos que fazem parte da rotina hospitalar.
“Ao orientar os familiares e integrá-los ao processo de cuidado, a iniciativa contribui para a evolução clínica do paciente”, relata a médica. Além disso, fortalece o vínculo entre equipe de saúde e família, sendo uma estratégia essencial na UTI pediátrica de alta complexidade.

