O câncer de pele é o tipo de neoplasia mais frequente na população brasileira, sendo mais prevalentes o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular. A escolha do tratamento depende de alguns fatores que incluem subtipo do câncer, localização e características microscópicas. Quando as lesões ocorrem em áreas sensíveis do corpo, a indicação terapêutica é pela cirurgia micrográfica de Mohs. A técnica garante a remoção completa do tecido canceroso, preservando o máximo possível de pele saudável, sendo especialmente útil para tumores em rosto, orelhas, mãos e pés.
A cirurgia micrográfica de Mohs é considerada uma técnica muito eficaz, especialmente para o tratamento de carcinomas basocelulares (células basais da epiderme) e carcinomas de células escamosas, descritos como os dois tipos mais comuns de câncer de pele. “Com altas taxas de cura e sem a necessidade de procedimentos mais agressivos no futuro, a técnica possibilita retirar as lesões deixando o mínimo possível de cicatrizes”, descreve o dermatologista Felipe Cerci, preceptor da Residência Médica em Dermatologia do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie, em Curitiba (PR).
O procedimento
Na cirurgia micrográfica de Mohs, remove-se uma margem mínima (1 a 2mm) de pele ao redor do tumor, que é examinada por completo no microscópio após 30-45 minutos. O dermatologista explica que, caso haja tumor residual nas margens, remove-se um novo fragmento na área comprometida. O processo continua até que o último fragmento de tecido removido esteja completamente livre de câncer. “Essa precisão é possível devido ao mapeamento micrográfico realizado no início da cirurgia”, descreve. Após a certeza de que as margens estão livres de tumor, a ferida operatória é restaurada.
De acordo com o especialista, a técnica se diferencia da cirurgia convencional principalmente pelo conceito de margem de segurança. No procedimento tradicional remove-se pelo menos 4mm de pele aparentemente saudável ao redor do tumor, pois a avaliação do material coletado só é realizada dias após o procedimento. “Além de sacrificar pele sadia, o exame de amostras das margens pode inviabilizar que raízes do tumor sejam vistas no microscópio, aumentando o risco de recidiva”, observa. Portanto, ainda que a diferença de margens pareça pouco significativa, a cirurgia micrográfica de Mohs se destaca pela precisão, pela menor remoção de pele e, consequentemente, pela maior preservação de tecido saudável e possibilidade de cura.
Apesar de o tratamento cirúrgico ter taxas de cura mais elevadas e ser o mais recomendado por entidades médicas, alguns casos de câncer de pele – como o carcinoma basocelular, por exemplo – podem ser tratados de outras formas. Entre as opções estão o uso de pomadas específicas, curetagem, cauterização ou radioterapia. “A escolha do tratamento deve ser individualizada de acordo com as características da doença, extensão das lesões e estado clínico do paciente”, finaliza.
Exemplos de indicação da cirurgia micrográfica de Mohs
- Tratamento de carcinomas, especialmente em áreas sensíveis (ao redor dos olhos, nariz, lábios e orelhas);
- Lesões mal delimitadas clinicamente;
- Tumores que não foram removidos por completo em cirurgias anteriores;
- Carcinomas histologicamente mais agressivos ou de crescimento rápido;
Lesões recorrentes, que já foram tratados anteriormente e recidivaram.

