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Depressão funcional tem sintomas distintos

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Depressão funcional tem sintomas distintos

Escrito por: Fernanda Ortiz

A depressão funcional ou de alto funcionamento é uma condição em que os sintomas da doença se manifestam de forma distinta da depressão convencional. Apesar do desânimo e da ausência de energia, indivíduos com esse quadro conseguem realizar normalmente as obrigações diárias, o trabalho e as responsabilidades sociais. Os principais fatores associados a essa condição incluem autocrítica extrema, excesso de pressão externa, dificuldade de concentração, tristeza, irritabilidade e exaustão.

De acordo com o psicólogo Carlos Manoel Rodrigues, docente do Centro Universitário de Brasília (CEUB), a depressão funcional se diferencia de quadros como o transtorno depressivo maior especialmente pela intensidade dos sintomas e o impacto na rotina diária. “Diferentemente da depressão comum, o indivíduo consegue trabalhar, se relacionar e ter atividades de lazer sem que os outros percebam que está deprimido”, explica. Entretanto, neste caso as emoções negativas tornam o sentimento constante de vazio e, consequentemente, o sofrimento psíquico maiores.

Mesmo que não transpareça, esses pacientes sofrem de tristeza persistente, cansaço extremo, irritabilidade, falta de prazer nas atividades, dificuldade de concentração, alterações no sono e no apetite. Muitas vezes, quem está em sofrimento percebe que algo não está bem, mas tenta ignorar ou minimizar os sinais. “Já os que convivem com essa pessoa podem não notar nada, porque continua cumprindo suas atividades e se relacionando normalmente com a família e os colegas de trabalho”, alerta o especialista.

Portanto, manter o desempenho no trabalho, nos estudos ou nas tarefas de casa pode ser possível para quem sofre da doença, mas, a um custo alto. O psicólogo reforça que, ao longo do tempo, esse desgaste pode resultar no agravamento do quadro, levando ao desenvolvimento de transtornos ansiosos, burnout ou até colapsos emocionais. “A pessoa pode continuar exercendo suas funções com excelência, no entanto, será às custas de um enorme esforço interno. Isso não significa que esteja bem”, enfatiza.

Fatores combinados

Apesar de não haver uma única causa, o desenvolvimento da depressão funcional pode estar ligado a uma combinação de fatores genéticos, históricos, comportamentais e ambientais. “Os gatilhos recorrentes para essa condição incluem situações como estresse prolongado, excesso de responsabilidades e cobranças externas, sobretudo quando a pessoa não tem uma rede de apoio ou tempo para descanso”, comenta o especialista. Além disso, entre os fatores envolvidos estão traços de personalidade, experiências adversas, pressão social e contextos profissionais desgastantes.

A capacidade de manter as aparências é justamente o que torna o quadro tão difícil de ser identificado, inclusive por profissionais da saúde. Isso ocorre porque o funcionamento externo camufla o sofrimento interno. Portanto, é preciso uma escuta sensível e que vá além dos critérios técnicos, levando em conta a subjetividade do paciente. O psicólogo explica que mudanças sutis no comportamento ou na maneira de se expressar podem ser um alerta para familiares e amigos. “Frases como ‘estou cansado o tempo todo’ ou ‘nada mais faz sentido’, bem como o afastamento de atividades antes prazerosas, são indicativos de que algo pode estar errado”, alerta.

Tratamento e acolhimento

Embora a depressão funcional não seja um diagnóstico formal, o especialista reforça que o tratamento segue os mesmos princípios de outros quadros depressivos. “Enquanto a psicoterapia oferece um espaço de acolhimento e escuta, a medicação pode aliviar sintomas mais intensos”, afirma. Além disso, a adoção de hábitos saudáveis, como sono adequado, prática de atividades físicas e respeito aos próprios limites completam essa tríplice terapêutica. Paralelamente, as redes de apoio são fundamentais para o restabelecimento da saúde emocional desses indivíduos.

Sinais de alerta

  • Tristeza persistente
  • Cansaço extremo
  • Irritabilidade
  • Falta de prazer nas atividades
  • Dificuldade de concentração
  • Alterações no sono e no apetite

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