O câncer de bexiga é uma doença silenciosa que pode se tornar agressiva quando não diagnosticada precocemente. Mais prevalente em homens acima de 60 anos, o tratamento depende da manifestação e extensão da doença, podendo incluir quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e terapias-alvo. Para os casos mais avançados, a indicação terapêutica é a remoção da bexiga, ou seja, a cistectomia radical. Antes realizada por cortes abertos e longa recuperação, atualmente a cirurgia robótica é a alternativa mais segura por ser menos invasiva e oferecer maior precisão.
De acordo com o médico urologista André Berger, coordenador do Núcleo de Medicina Robótica do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), a maioria dos casos se manifesta de forma superficial. Com isso, o câncer afetando a camada mais interna da bexiga, chamada de mucosa. Portanto, quanto mais precoce for o diagnóstico, melhor o prognóstico. “Entretanto, quando o tempo entre o aparecimento dos sintomas e o início do tratamento passa de oito semanas, há risco de progressão para formas mais graves”, alerta.
Quando o tumor invade camadas mais profundas ou órgãos vizinhos, a cistectomia radical é usada para remoção total da bexiga e dos gânglios linfáticos, e para a reconstrução do trato urinário. “Até poucos anos, esse tipo de procedimento era realizado exclusivamente por via aberta, com cortes extensos e acompanhado de uma longa recuperação. Entretanto, com o avanço das tecnologias, o uso da cirurgia robótica passou a ser a melhor opção. “Por ser um processo minimamente invasivo, a cirurgia robótica oferece melhores resultados, especialmente na recuperação do paciente”, avalia o especialista.
Minimamente invasivo
A cistectomia radical robótica permite a retirada da bexiga e dos gânglios linfáticos por pequenas incisões, seguida da reconstrução do trato urinário com parte do intestino. O médico explica que, nesta técnica, um robô cirúrgico é usado para realizar a remoção da bexiga e, em alguns casos, de órgãos vizinhos, como a próstata ou útero. Com a visualização aprimorada do campo cirúrgico, uma câmera 3D de alta definição permite ao cirurgião ter uma visão mais detalhada dos órgãos e estruturas envolvidas.
Pelo caráter minimamente invasivo, o procedimento resulta em menor perda sanguínea e necessidade de transfusão. Outro benefício é o menor risco de complicações pós-operatórias, a exemplo de infecções no local da incisão. “Além disso, reduz o tempo de internação, melhora o tempo de cicatrização e a dor pós-operatória”, enumera o urologista. Todas essas características tornam a cirurgia robótica uma opção mais segura, especialmente para idosos que costumam ter maior fragilidade clínica.
Suporte multidisciplinar
Como cada paciente requer uma abordagem personalizada de acordo com as características clínicas, a integração entre diferentes especialidades garante decisões mais precisas e seguras. Em pacientes idosos, por exemplo, muitas vezes há outras comorbidades – como doenças cardiovasculares ou pulmonares –, além de casos de desnutrição.
“Por esse motivo, é fundamental o controle de doenças, plano nutricional e preparação específica no pré-operatório”, observa o especialista. Além da cirurgia, o tratamento pode incluir o uso de medicamentos que ativam o sistema imunológico visando reduzir o risco de recorrência, especialmente em tumores superficiais de comportamento agressivo.Cenário
Apontado como o sétimo câncer mais incidente entre os homens (exceto o de pele não melanoma), estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que o Brasil deverá registrar 11.370 novos casos da doença somente em 2025. Destes, 3.500 devem ser em mulheres e 7.870 em homens, com maior prevalência acima dos 60 anos. Para evitar prognósticos desfavoráveis é preciso estar alerta a sintomas indicativos da neoplasia. Um dos fatores de risco para o câncer de bexiga é o tabagismo.
Atenção aos sinais e sintomas
- Presença de urina com sangue (hematúria)
- Aumento da frequência urinária
- Ardência ou dor ao urinar
- Sensação constante de bexiga cheia

