O implante Transcateter de Válvula Aórtica (TAVI, sigla em inglês para Transcatheter Aortic Valve Implantation) é um procedimento minimamente invasivo com utilização de cateter para substituição da válvula aórtica danificada. A técnica é indicada exclusivamente para o tratamento da estenose aórtica, uma condição que leva ao estreitamento da válvula e impede o fluxo normal de sangue do coração para o resto do corpo. O procedimento, que vem apresentando melhores resultados cirúrgicos e evolução das próteses utilizadas, proporciona uma recuperação mais rápida e segura.
De acordo com o cardiologista intervencionista Ciro Jones Cardoso, o principal diferencial do TAVI é a utilização de um cateter. “O tubo fino é inserido na artéria por uma pequena incisão na virilha ou no peito, dependendo da necessidade do paciente e escolha médica”, explica o médico, responsável pelo setor de Hemodinâmica da Santa Casa de São José dos Campos (SP). O dispositivo é guiado até o coração, onde a nova válvula aórtica é implantada no local (ou em substituição) daquela que está com o funcionamento comprometido.
Semelhante aos stents utilizados para desobstruir artérias com ateromas (placas de gordura), o TAVI é responsável por regular a abertura e o fechamento da válvula para restabelecer o fluxo sanguíneo de maneira correta. Durante o procedimento, a equipe médica acompanha as imagens em tempo real por meio de máquinas de ultrassom e raios X. O médico explica que o uso desses equipamentos possibilita mais segurança e precisão durante a inserção do cateter.
Planejamento é essencial
Cada paciente apresenta particularidades anatômicas e patológicas distintas. Por isso, antes do procedimento é essencial um planejamento detalhado para minimizar riscos. A angiotomografia é um dos exames fundamentais neste processo, pois permite avaliar as medidas de vasos e cavidades envolvidas. “A válvula é introduzida pela virilha (ou peito) do paciente e, antes do procedimento, definimos quais vasos serão utilizados como via de acesso arterial”, detalha o especialista. O procedimento conta com equipe multidisciplinar formada por cardiologista intervencionista, cirurgião cardíaco, anestesista, enfermeiro e especialista de imagem, entre outros, e dura de duas a quatro horas, em média.
Além disso, a recuperação é mais rápida e com menos dor. O paciente é monitorado pela equipe médica na UTI pelas primeiras 24 horas e, logo depois, já é direcionado para um quarto. Se a melhora for progressiva, poderá receber alta em poucos dias. “Pacientes que tratam a estenose aórtica com TAVI têm mais chances de manter uma boa qualidade de vida a longo prazo, desde que tenha uma rotina alimentar e de atividades físicas regulares, além de acompanhamento cardiológico”, acrescenta o cardiologista Ciro Jones Cardoso.
Evolução
Por muitos anos, a estenose aórtica era tratada por esternotomia, um procedimento cirúrgico que envolve a incisão do esterno (osso do peito) para acessar o coração e outras estruturas torácicas. Porém, a incisão invasiva trazia altos riscos para pessoas fisicamente mais frágeis, como idosos ou pacientes com outras doenças graves.

