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Vício em videogames

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Jogos podem desencadear comportamento compulsivo

Escrito por: Elessandra Asevedo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a reconhecer, em 2022, o vício em videogames como uma condição médica oficial. Com a edição da nova Classificação Estatística Internacional de Doenças (CID-11), o distúrbio de games entrou para a lista como transtorno mental. O problema é caracterizado pela perda de controle sobre o impulso de jogar, a priorização dos jogos em relação a outras atividades diárias e a persistência no comportamento, mesmo diante de consequências negativas.

Estudos sugerem que o vício em videogames afeta apenas uma pequena proporção dos jogadores. No entanto, as pessoas que praticam essa atividade devem estar atentas à quantidade de tempo que gastam fazendo isso, particularmente quando resulta na exclusão de outras atividades diárias. Além disso, devem ser analisadas quaisquer mudanças na saúde física ou psicológica e no funcionamento social que possam ser atribuídas ao padrão de comportamento em relação a jogos eletrônicos.

Entre os jogos potencialmente viciantes está o clássico Tetris, sucesso desde os anos 1980 e até hoje presente em consoles, celulares e computadores. Embora pareça inofensivo, o jogo é um exemplo de como um ciclo simples e repetitivo pode se tornar compulsivo. De acordo com a psicóloga Angie Pique Alboreda de Magalhães, a razão pela qual jogos como Tetris são tão viciantes é que ativam um ciclo de recompensa perfeito no cérebro.

“O ciclo de recompensa é a estrutura gatilho-ação-recompensa, e a dopamina é o combustível que faz percorrer esse ciclo repetidamente, criando a motivação e, eventualmente, o vício”, explica a professora do curso de Psicologia da Estácio e especialista em construção de testes e psicopatologia. O prazer imediato de encaixar blocos e completar linhas alimenta a vontade de continuar jogando.

Basicamente, o cérebro prefere a satisfação imediata de resolver um problema simples e claro, como encaixar blocos, em vez de lidar com as tarefas complexas e de longo prazo da vida real. Esse vício é reforçado pelo ‘hiperfoco’, um estado de concentração tão profundo que o mundo ao redor desaparece. Quando o jogador perde, essa imersão é quebrada de forma brusca, o que gera uma pequena frustração.

Atenção com o vício

O diagnóstico do distúrbio, de acordo com a OMS, não é simples e precisa ser feito por especialistas. Ainda assim, alguns sinais devem servir de alerta para familiares e educadores. Dentre eles estão o isolamento social, a irritabilidade ao interromper o jogo, a perda de interesse por outras atividades e a queda no desempenho escolar ou profissional. O vício em jogos pode atingir qualquer idade, mas preocupa principalmente entre crianças e adolescentes, cuja formação cognitiva e emocional ainda está em desenvolvimento.

Embora os jogos eletrônicos possam estimular habilidades cognitivas e coordenação motora, especialistas reforçam a importância do uso moderado e consciente. “O diálogo entre pais, jovens e até idosos jogadores é fundamental para estabelecer limites, evitar o uso excessivo e, quando necessário, buscar ajuda profissional”, reforça a psicóloga.

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