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Inteligência artificial tem transformado a neurocirurgia

Escrito por: Fernanda Ortiz

Uma das áreas mais complexas da medicina, a neurocirurgia vive uma revolução. Robôs, algoritmos e inteligência artificial (IA) entram em cena para melhorar a condução de procedimentos, beneficiando a prática clínica. A inovação em sistemas e plataformas de navegação por imagem, por exemplo, auxilia os médicos a mapearem o cérebro com mais precisão, guiando os procedimentos com segurança e previsibilidade. Além de reduzir riscos e oferecer tratamentos mais personalizados, o uso da inteligência artificial na neurocirurgia possibilita movimentos extremamente precisos, mesmo em áreas delicadas e de difícil acesso.

Para o neurocirurgião Denildo Veríssimo, preceptor da residência de Neurocirurgia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), essas ferramentas potencializam a atuação médica, mas não substituem o olhar humano. “Com o suporte da inteligência artificial e da navegação cirúrgica conseguimos planejar com mais clareza, agir com mais confiança e, principalmente, oferecer resultados mais seguros aos pacientes”, afirma. Além disso, a IA oferece uma segunda opinião baseada em dados, ajudando a confirmar diagnósticos e a planejar intervenções mais assertivas.

Dados podem salvar vidas

A análise de grandes volumes de dados, conhecida como Big Data, tem se mostrado uma aliada poderosa na Medicina – especialmente na neurocirurgia. O neurocirurgião Denildo Veríssimo observa que a inteligência artificial já é capaz de processar informações clínicas e de imagem de milhares de pacientes, identificando padrões que passariam despercebidos ao olhar humano.

“Estudos publicados em revistas científicas internacionais mostram que algoritmos de IA têm alcançado níveis de precisão diagnóstica superiores aos de especialistas”, comenta. As plataformas de inteligência artificial ajudam, inclusive, a antecipar complicações e sugerem abordagens terapêuticas mais eficazes. Além disso, aumentam a precisão cirúrgica em até 50%, reduzindo riscos e otimizando resultados. Além disso, a IA pode diminuir em até 30% o tempo de planejamento cirúrgico e agilizar decisões críticas em UTIs e prontos-socorros, impactando diretamente no prognóstico dos pacientes.

Entretanto, o sucesso dessas tecnologias está diretamente ligado à qualidade dos dados que as alimentam. O especialista explica que a IA só pode ser precisa se for treinada com informações clínicas bem estruturadas e relevantes. “Neste contexto, além da atuação técnica o neurocirurgião se torna um curador de dados. Portanto, responsável por validar, interpretar e garantir que as decisões geradas pela IA estejam alinhadas com a realidade clínica e respaldadas por evidências científicas”, destaca.

IA e a formação médica

A incorporação da IA também tem modificado de forma significativa a formação dos futuros neurocirurgiões. Simulações com realidade aumentada e plataformas de treinamento baseadas em IA já são utilizadas em centros acadêmicos e hospitais de referência em diversos países. Isso possibilita, por exemplo, que os residentes pratiquem procedimentos complexos em ambientes controlados, sem riscos para o paciente. Para o neurocirurgião Denildo Veríssimo, essa evolução tecnológica deve caminhar junto com a construção de uma base ética e humanizada. “A tecnologia é uma ferramenta poderosa, mas é o discernimento humano que garante seu uso adequado. Portanto, é essencial que os profissionais mantenham o foco no bem-estar do paciente, utilizando a IA como um complemento à sua expertise clínica, e nunca como substituto do olhar sensível e responsável que a Medicina exige”, avalia.

Perspectivas futuras

Segundo projeções da consultoria Statista (plataforma de dados online alemã), o mercado global de IA na saúde deve ultrapassar US$ 100 bilhões até o fim da década de 2020. Esses números são impulsionados pela crescente incorporação de tecnologias inteligentes em hospitais, centros de pesquisa e formação médica. Para o neurocirurgião Denildo Veríssimo, esse avanço é especialmente significativo na neurocirurgia. “Algoritmos de alta complexidade já são aplicados com sucesso na identificação de tumores de difícil acesso, localizados em regiões profundas do cérebro, onde cada milímetro importa”, destaca.

Ao cruzar grandes volumes de exames e dados clínicos, essas ferramentas contribuem para um planejamento cirúrgico mais preciso, seguro e menos invasivo, com maior preservação das funções neurológicas. Esse cenário de transformação tecnológica também abre espaço para uma nova geração de práticas e possibilidades. Por exemplo, interfaces cérebro-máquina, plataformas de reabilitação assistida por IA e diagnósticos preditivos são algumas das inovações em desenvolvimento que já integram a rotina em centros de referência.

Entretanto, é preciso que haja harmonia entre o avanço tecnológico e os princípios que sustentam a boa prática médica. “A IA deve ser vista como uma parceira que amplia nossas capacidades, mas nunca como substituta do olhar atento e empático do médico. O desafio está em equilibrar inovação com o cuidado centrado no paciente”, afirma o neurocirurgião. Em outras palavras, a neurocirurgia do futuro será aquela em que o bisturi e o algoritmo caminham lado a lado – cada um com seu papel, mas, ambos a serviço da vida.

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