Humor deprimido pós-parto

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Estudo avalia humor deprimido pós-parto dos pais

Escrito por: Fernanda Ortiz

O estado emocional de pais e mães é essencial para o bem-estar da família. No entanto, as investigações longitudinais específicas sobre o humor deprimido pós-parto dos homens ainda são limitadas. Para apresentar uma nova perspectiva, pesquisadores da Tailândia desenvolveram o estudo ‘Differential trajectories of parents’ postpartum depressed mood: A latent class growth analysis approach‘, com objetivo de identificar as tipologias de trajetórias de sintomas depressivos. O experimento foi realizado durante o primeiro ano pós-parto entre pais taiwaneses.

Para o estudo, os pesquisadores utilizaram dados do projeto ‘Crianças em Taiwan: Estudo Longitudinal Nacional de Desenvolvimento e Cuidado Infantil’. Um total de 396 pais que completaram pelo menos uma de três entrevistas quando os filhos tinham 3, 6 e 12 meses de idade foram incluídos na análise condicional. O objetivo foi identificar as classificações das trajetórias de humor deprimido dos pais no primeiro ano pós-parto.

O humor deprimido foi medido por questionários em que as respostas recebiam pontuação de 1 a 4. A partir dos dados, foram identificadas três classes de trajetórias de humor deprimido: 11% com alto crescimento, 28% com aumento moderado e 61% com baixa diminuição. “As covariáveis ​​propostas incluíram escolaridade do pai, renda familiar mensal, ser pai pela primeira vez, apoio percebido, estresse financeiro e satisfação conjugal”, apontam os autores.

Resultados

De acordo com os autores, o resultado pode estar relacionado com a diferença nos papéis de gênero e expectativas sociais e financeiras. Os achados do estudo indicaram, por exemplo, que houve diferenças individuais na progressão do humor deprimido associado à paternidade e que as inclinações para turmas com pontuações iniciais mais baixas foram estáveis. “Embora a maioria dos pais raramente se sentisse deprimida quando os filhos nasceram, alguns relataram que houve intensidade dos sintomas com o tempo”, descrevem.

Os resultados mostram, ainda, que a heterogeneidade nas trajetórias de humor deprimido dos pais é semelhante aos resultados encontrados nas mães. Entretanto, as mulheres que apresentaram sintomas depressivos no início do pós-parto eram mais propensas a desenvolver, futuramente, depressão crônica. Além disso, houve correlação entre o estresse financeiro e as tipologias de trajetórias de humor deprimido entre os pais avaliados.

Dificuldades econômicas

Ao aplicar o modelo de estresse familiar, os autores notaram que as dificuldades econômicas poderiam causar uma maior pressão, intensificando o sofrimento psicológico. Por outro lado, os cientistas descrevem que, embora o apoio e a satisfação conjugal sejam apontados como fortes preditores de sintomas depressivos maternos, o mesmo não se aplica aos pais. “A resposta é cultural, já que em Taiwan, na tradicional divisão do trabalho doméstico e papéis de gênero, os pais são os provedores, enquanto as mães são as principais cuidadoras nas famílias”, detalham.

De acordo com os autores, apesar dos achados ainda existem limitações no estudo. “O tamanho e perfil da amostra limitam o poder desta análise. Além disso, não foi possível analisar o nível de humor dos pais antes do parto, ou seja, a presença de pensamentos depressivos pré-existentes”, acentuam. Assim, embora a abordagem tenha capturado o tema de interesse, foi menos sensível se comparada a um questionário com questões mais amplas.  O artigo foi publicado em 2023 no Journal of Clinical Oncology.

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