Diarreia associada a antibióticos

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Ação positiva do LcS nos sintomas da lesão medular

Escrito por: Adenilde Bringel

A lesão medular (LM) é uma condição catastrófica, e um dos sintomas secundários é a disfunção vesical neurogênica que, frequentemente, leva ao aumento do risco de infecções sintomáticas do trato urinário. Por causa da necessidade de uso de cateteres urinários, aumenta ainda mais a necessidade de antibióticos e o risco de efeitos indesejáveis, como diarreia associada a antibióticos (DAA) e infecção por Clostridioides difficile (CDI). Além disso, a diarreia pode atrasar a reabilitação, aumentar o risco de desenvolver úlceras por pressão, atrasar a cicatrização de feridas e reduzir a qualidade de vida.

Durante a fase aguda, os pacientes com LM necessitam de terapia de anticoagulação para prevenir o tromboembolismo venoso. Por causa disso e do aumento do risco de hemorragia digestiva alta devido a danos na medula espinhal, os pacientes ingeriram uma proteção gástrica – a exemplo de inibidor da bomba de prótons (IBP). No entanto, a exposição aos IBP também é um fator de risco para diarreia associada a antibióticos. Para avaliar a eficácia de um probiótico contendo Lactobacillus casei Shirota vivo (LcS) na prevenção da diarreia associada a antibióticos em pacientes com lesão medular que consumiram IBP regularmente, cientistas do Reino Unido desenvolveram um experimento com 95 pacientes.

De acordo com os pesquisadores, há um interesse crescente em probióticos para reduzir o risco de diarreia associada a antibióticos em geral. “Em resumo, os probióticos têm sido propostos para prevenir a DAA/CDI por restaurar ou manter um microbioma intestinal saudável em doentes hospitalizados em tratamento antibiótico, particularmente aqueles que usam antibióticos de largo espectro”, afirmam os autores do estudo. No entanto, ainda não está claro se uma cepa probiótica específica é responsável por reduzir a incidência geral de AAD/CDI.

Métodos

Os 95 pacientes foram recrutados em três centros de LM (National Spinal Injuries Centre, Midland Centre for Spinal Injuries e Princess Royal Spinal Cord Injuries Centre), todos no Reino Unido. Entre novembro de 2014 e novembro de 2019, foram aleatoriamente alocados para receber LcS (50) ou placebo (45). O LcS ou placebo foi administrado uma vez ao dia durante um ciclo de antibiótico e continuou por sete dias depois. O desfecho primário é a ocorrência de DAA até 30 dias após o término da LcS/placebo. 

Resultados

O grupo LcS teve uma incidência significativamente menor de DAA 30 dias após o término do ciclo antibiótico. A análise identificou que a cepa LcS pode reduzir o risco de DAA em 30 dias. Nenhum evento adverso relacionado à intervenção foi registrado. Em conclusão, os autores afirmam que o LcS tem o potencial de prevenir diarreia associada a antibióticos no que poderia ser considerado um grupo vulnerável definido de pacientes com LM em uso regular de IBP. “É necessário um estudo confirmatório, randomizado e controlado por placebo para confirmar esse aparente sucesso terapêutico e traduzi-lo em desfechos clínicos apropriados”, acentuam. O estudo ‘Lactobacillus casei Shirota probiotic drinks reduce antibiotic associated diarrhoea in patients with spinal cord injuries who regularly consume proton pump inhibitors: a subgroup analysis of the ECLISP multicentre RCT’ foi publicado em 2024 na Spinal Cord.

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