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Sistema nervoso central

• Pesquisa

Estudo revela como vírus Chikungunya leva à morte

Escrito por: Fernanda Ortiz

O vírus Chikungunya (CHIKV) é transmitido por mosquitos das espécies Aedes aegypti e Aedes albopictus. Esse vírus pode se espalhar pelo sangue, atingir múltiplos órgãos e atravessar a barreira hematoencefálica que protege o sistema nervoso central. Segundo levantamento do Ministério da Saúde, o vírus é responsável por mais de 900 mortes no Brasil desde que chegou ao País, há cerca de 10 anos. Recentemente, uma pesquisa revelou os mecanismos de infecção no sistema nervoso central que caracterizam a ação letal do vírus Chikungunya.

O objetivo do estudo era investigar os fatores virais e do hospedeiro associados às mortes por Chikungunya (CHIK). Para isso, os pesquisadores combinaram análises epidemiológicas, virológicas, histopatológicas, de resposta a citocinas, dinâmica molecular, metabolômica, proteômica e genômica. “Analisamos os dados relativos a 32 pacientes mortos, incluindo resultados de testes para a presença de Chikungunya no organismo, informações laboratoriais e de autópsia”, relatam os autores. As amostras foram coletadas no momento do óbito de um subconjunto da maior coorte de casos fatais (188) descritos, em 2017, no Estado do Ceará.

Análises comparativas

Para efeito de comparação, foram avaliadas análises em amostras de soro de outros dois grupos. Um tinha 39 pacientes com CHIKV autolimitada, ou seja, que sobreviveram sem desenvolver a forma crônica da doença. O segundo tinha 15 adultos presumidamente saudáveis e doadores de sangue. Estes não apresentavam sintomas de infecção viral e foram negativados para infecção por CHIKV por RT-qPCR e testes sorológicos.

Ao verificar as análises, febre e mialgia (dor muscular) foram os sintomas mais frequentes relatados em pacientes do grupo de mortes por CHIKV. Na comparação, febre e artralgia (dor nas articulações) foram as mais relatadas no grupo de sobreviventes. Além disso, 21,9% dos pacientes do grupo de mortes por CHIKV desenvolveram sinais e sintomas neurológicos, a exemplo de confusão, síncope, adinamia e perda sensorial.

De acordo com os resultados, não houve diferenças estatisticamente significativas nos níveis de viremia (presença de vírus no sangue circulante) entre os grupos de morte e sobreviventes de CHIKV. No entanto, a viremia foi mais elevada no início do curso da doença e diminuiu ao longo do tempo. Os autores destacam, ainda, que o RNA do CHIKV foi detectado em amostras de LCR no baço, pulmão, fígado, rim, coração e cérebro de parte dos pacientes com morte por CHIK. “Os achados histopatológicos dos casos de morte revelaram, ainda, danos extensos no cérebro”, pontuam. Estes danos incluíram despolarização anóxica, infiltração mononuclear perivascular, necrose e hemorragia, assim como anormalidades hemodinâmicas (congestão vascular e edema) no cérebro, pulmão, baço e rim.

Invasão do sistema nervoso central

Um dos achados mais relevantes foi a presença do CHIKV em amostras de líquido cefalorraquidiano. Isso indica a capacidade do vírus de atravessar a barreira hematoencefálica – camada física que protege o sistema nervoso central e, normalmente, evita a entrada de patógenos. Entre os mediadores inflamatórios, foram observados níveis significativamente mais elevados de CCL-2 no soro do grupo de mortes por CHIKV em comparação com os sobreviventes. Isto sugere, portanto, que o CCL-2 desempenha um papel crucial no recrutamento de linfócitos e monócitos para o cérebro, incluindo monócitos CD14+ CD16+. Estes representam um subconjunto de monócitos pró-inflamatórios implicados na patogênese de infecções do sistema nervoso central devido à sua capacidade de induzir neuroinflamação e dano neuronal.

As análises também demonstraram que esses monócitos (CD14+ CD16+) são suscetíveis à infecção por CHIKV e possuem a capacidade de transmigrar. A hipótese é que essa subpopulação de monócitos poderia servir como um mecanismo de ‘cavalo de Tróia’ para a entrada do CHIKV no sistema nervoso central. Desta forma, poderia contribuir para os processos que levam à doença neurológica CHIK. “No sangue, observamos uma alteração severa na cascata de coagulação com a diminuição de algumas proteínas-chave, bem como danos hemodinâmicos nos órgãos”, acentuam os autores. No sistema imune, os níveis de citocinas associadas à inflamação se mostraram maiores que os observados em pacientes com Chikungunya que sobreviveram.

Os achados do estudo ampliam o conhecimento da fisiopatologia da doença identificando os mecanismos de infecção. Além disso, contribuem para o desenvolvimento de tratamentos eficazes, biomarcadores prognósticos, estratégias de manejo clínico e vigilância da doença. A Chikungunya segue endêmica no Brasil há mais de uma década. O estudo Pathophysiology of chikungunya virus infection associated with fatal outcomes’ foi publicado na revista Cell Host & Microbe em março de 2024.

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