A parvovirose humana – ou eritema infecciosa – é uma infecção viral causada pelo eritrovírus humano B19. Apesar de ter sintomas que se confundem com os da gripe, como dor de cabeça, mal-estar e febre baixa, sua principal característica são as manchas e erupções vermelhas na pele. A condição pode acometer qualquer faixa etária. Entretanto, é mais comum entre crianças e adolescentes em idade escolar. A transmissão ocorre por meio do contato com secreções aéreas infectadas liberadas ao falar, tossir ou beijar. Geralmente, a cura ocorre de forma espontânea e rápida, com exceção das gestantes infectadas, que podem ter complicações importantes para o feto.
Pertencente à família Parvoviridae, o eritrovírus humano B19 é um vírus de DNA de fita simples, responsável por infectar células precursoras de eritrócitos da medula óssea e do sangue. Entre as principais manifestações clínicas estão a parvovirose humana e a hidropisia fetal, caracterizada pelo acúmulo anormal de líquido em dois ou mais compartimentos fetais. De acordo com a médica patologista clínica Natasha Slhessarenko, da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), o vírus é transmitido por meio de gotículas (saliva) que entram no organismo através das vias respiratórias.
Mais comum em crianças e adolescentes em idade escolar, o período médio de incubação do vírus é de uma a três semanas. A partir de 5 a 10 dias do contágio podem surgir os primeiros sintomas, frequentemente confundidos com quadros gripais. Entre os exemplos estão febre baixa, coriza, náusea, cansaço, mal-estar, dor de cabeça ou de estômago. Entretanto, a principal característica dessa condição são as manchas e erupções vermelhas na pele, principalmente em rosto, braços e pernas.
De acordo com a médica, em pacientes adultos também podem surgir dores nas articulações, principalmente de mãos, punhos, joelhos e tornozelos. Além disso, a condição pode ser assintomática na maioria dos casos, o que pode aumentar o risco de transmissão caso os cuidados de higiene não sejam uma prática adotada por esses indivíduos.
Diagnóstico e tratamento
Como toda doença viral, o diagnóstico da parvovirose humana é feito através da análise clínica dos sintomas. Na ausência de sinais ou para confirmação de diagnóstico em pacientes sintomáticos podem ser solicitados, ainda, exames laboratoriais para detecção do vírus. Dentre os exemplos estão sorologia IgG e IgM para pesquisa de anticorpos, que indica se houve contato com o antígeno e, em caso positivo, em qual estágio a infecção se encontra.
Em determinados casos, pode ser indicada a pesquisa do DNA viral através de técnicas moleculares de PCR (Proteína C-Reativa). A especialista comenta que, na imensa maioria dos casos, a doença é benigna, autolimitada e se cura sozinha sem a necessidade de nenhum tipo de tratamento. “Caso o paciente relate sintomas como coceira, dor ou náuseas, medicamentos anti-histamínicos ou analgésicos podem ser prescritos para aliviar os sintomas”, orienta.
Atenção especial com gestantes
Na gravidez, a infecção pelo eritrovírus humano B19 pode ser grave devido à chance de transmissão vertical, ou seja, da mãe para o feto. Isso pode resultar em alterações no desenvolvimento, anemia intrauterina, insuficiência cardíaca fetal e até mesmo aborto. A patologista comenta que a hidropisia fetal é a principal condição associada à infecção pelo vírus. “Caracterizada pelo acúmulo de líquidos em tecidos ou nos órgãos do bebê durante a gestação, causa inchaço cutâneo, derrame pleural, derrame pericárdico e ascite”, acentua. Portanto, trata-se de uma doença muito grave e com tratamento difícil, que pode resultar em aborto espontâneo ou levar à morte do bebê no início de vida.