Café de açaí é rico em inulina

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Estudo mostra que café de açaí é rico em inulina

Escrito por: Fernanda Ortiz

Apenas 15% do açaí é parte comestível, portanto, os 85% restantes que correspondem ao caroço e à casca geralmente são descartados. Assim, pesquisadores da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas desenvolveram um extrato de caroço torrado de açaí rico em inulina (fibra solúvel) que age como prebiótico. A fibra prebiótica tem a capacidade de facilitar a absorção de minerais no intestino e prevenir prisão de ventre. Além disso, colabora para a redução de colesterol e o controle da glicemia. Com método de extração semelhante ao utilizado para obtenção do café, o subproduto do açaí poderá ser consumido como uma bebida funcional de fácil preparo.

O estudo foi conduzido pela engenheira de alimentos Renata Magalhães, do Laboratório de Extração, Termodinâmica Aplicada e Equilíbrio da Unicamp. A pesquisadora constatou que, pelo fato de ser um material sólido com grande quantidade de celulose e lignina, o caroço de açaí é passível de transformação por meio de soluções biotecnológicas. “Além da obtenção de inulina, analisamos os compostos fenólicos presentes no ‘café de açaí’ que auxiliam na defesa contra diversos tipos de câncer”, destaca. Da mesma forma, foram avaliados os parâmetros físico-químicos do pó do caroço torrado, como diâmetro das partículas e teor de proteínas, carboidratos e fibra bruta.

Meio ambiente

A pesquisadora utilizou um cromatógrafo de íons para analisar a inulina e os benefícios associados. O equipamento identifica e quantifica compostos químicos presentes em materiais líquidos e, dessa forma, permitiu viabilizar as análises de maneira menos prejudicial ao meio ambiente. “A sensibilidade da inulina é tão alta e rica que foi preciso diluir o extrato do caroço de açaí em 20 partes de água para adequar a resposta do detector à curva analítica”, comenta. Mesmo com a criação de produtos de maior valor agregado, o uso do caroço torrado continua a gerar resíduos. Um exemplo é a borra que sobra depois de coado, que pode ser usada em processos de compostagem ou como matriz energética. O trabalho ainda não está disponível para consulta, pois está na fase de publicação dos dados.

Texto original publicado no Jornal da Unicamp.

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