Medicina nuclear no câncer de mama

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Medicina nuclear no câncer de mama

Escrito por: Elessandra Asevedo

O câncer de mama é o segundo tipo de neoplasia mais comum entre as mulheres no Brasil, perdendo apenas para pele não melanoma. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima-se que serão diagnosticados mais de 70 mil casos por ano no País no triênio 2023-2025, atingindo aproximadamente 704 mil novos casos de todos os tipos de câncer no período. Embora as causas ainda sejam pouco conhecidas, uma somatória de fatores pode aumentar o risco de desenvolvimento dessa neoplasia, como mutações genéticas, histórico familiar, fatores ambientais e hormonais.

Os principais sinais do câncer de mama são nódulo fixo e indolor que pode aparecer nas regiões da mama ou axila. Além disso, pele da mama avermelhada e alterações no mamilo devem ser investigados. Apesar dos sintomas e de ser o segundo tipo de neoplasia mais comum nas mulheres, a maioria dos casos é detectada em estágios mais avançados, o que dificulta o tratamento. Desse modo, o reconhecimento prévio da doença é essencial para conter o avanço das células cancerígenas e evitar que contaminem outras regiões do corpo, formando as chamadas metástases – estágio mais avançado do tumor.

O câncer de mama é frequentemente um tumor que gosta de migrar para o osso e a medicina nuclear já vem atuando nesse rastreamento há muitos anos. O primeiro exame disponível para esse diagnóstico é a cintilografia óssea, que pode avaliar todo o esqueleto a partir de uma pequena quantidade de material radioativo injetado na paciente. “É um método seguro, barato, que tem cobertura pelo SUS e é usado amplamente. A taxa de performance, ou seja, o potencial de detectar lesões é da ordem de 85%”, afirma a médica nuclear Adelina Sanches, diretora da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN).

Outros exames da medicina nuclear que demonstram uma excelente desempenho em diagnósticos de câncer de mama são as tomografias por emissão de pósitrons (PET/CT). Para tumores muito avançados é possível avaliar o corpo inteiro e mostrar se a paciente está com a doença em outros órgãos ou no próprio esqueleto. “É um exame que apresenta performance superior à cintilografia óssea”, acentua a especialista.

Reconhecimento da eficácia

Nos últimos cinco anos, o PET/CT passou por um avanço, tornando-se ainda mais eficiente para a detecção do câncer de mama. Isso porque recentemente foi desenvolvido o PET/CT com FES, que é o flúor-estradiol análogo ao hormônio feminino estradiol. Esse traçador é injetado para rastrear lesões que expressam receptores de estrógenos, presentes em 70% a 80% dos tumores de mama. “O traçador irá se grudar em todos os receptores desse tipo de tumor que possa expressar receptores de estrógeno”, explica a médica Adelina Sanches.

De acordo com a médica, ter um traçador específico traz muitos ganhos pois, se a paciente estiver com um câncer de mama e outro de pulmão, por exemplo, e o exame captar FES, o profissional consegue definir que essa metástase é decorrente do câncer de mama. Por outro lado, se a paciente já teve um câncer de mama e aparece uma lesão suspeita e for positiva, nesse tipo de PET o médico também consegue determinar que aquela lesão é metastática do câncer de mama.

Isso ajuda na deflagração de terapias, muitas vezes até poupando a mulher de novas biópsias e procedimentos invasivos. Os exames de PET/CT com FES já são produzidos e vendidos no Brasil pelo Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), que é um dos braços da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Esse órgão do governo federal investe em pesquisa e desenvolvimento, buscando um uso cada vez mais amplo e seguro das técnicas do setor nuclear. 

Atenção aos sintomas 

  • Nódulo fixo e indolor que pode aparecer nas regiões da mama ou axila
  • Pele da mama avermelhada
  • Alterações no mamilo

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