DII tem aumentado no mundo

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Simbióticos, paraprobióticos e posbióticos nas DII

Escrito por: Adenilde Bringel

A incidência das doenças inflamatórias intestinais (DII) tem aumentado no mundo, inclusive entre crianças e idosos. Atualmente, algumas terapias são utilizadas – por exemplo, medicamentos biológicos – para o tratamento de doença de Crohn (DC) e retocolite ulcerativa (RCU), porém, nem sempre trazem melhora ou recidiva aos pacientes. Por causa da gravidade crescente do curso  das doenças inflamatórias intestinais, os cientistas têm buscado desenvolver novos métodos de terapia.

Uma vez que o microbioma intestinal tem sido estudado como um fator que influencia o desenvolvimento e o curso da DII, pesquisadores buscam entender se a composição da microbiota intestinal poderia ser modificada com o uso de prebióticos e probióticos (simbióticos) ou com paraprobióticos e posbióticos. Para investigar os trabalhos mais recentes sobre essas possibilidades, cientistas poloneses desenvolveram o artigo de revisão Prebiotics, probiotics, synbiotics, paraprobiotics and postbiotic compounds in IBD’.

Resumidamente, prebióticos são principalmente fibras alimentares, enquanto probióticos são cepas de bactérias benéficas à saúde humana. Já os paraprobióticos são bactérias inativadas e não viáveis ​​ou seus componentes, enquanto os posbióticos são produtos do metabolismo bacteriano ou produtos sintéticos iguais que modulam beneficamente a resposta imunológica e a inflamação.

“Dessa forma, probióticos e prebióticos em combinação são considerados uma nova abordagem promissora, e atualmente existe uma oportunidade para avaliar sua eficácia e uso potencial na DII em humanos”, reforçam os autores. No entanto, apenas alguns estudos já foram publicados apoiando o uso de suplementação simbiótica nas DII. As fórmulas simbióticas mais frequentes incluem Lactobacillus GG e/ou Bifidobacterium com frutooligossacarídeos e/ou inulina.

Experimentos

Em um dos estudos citados na revisão, os pesquisadores avaliaram a influência da lactulose na atividade clínica, laboratorial, endoscópica e histopatológica da DII, bem como na qualidade de vida de pacientes com doença ativa. “Embora a lactulose oral não tenha surtido efeito positivo na DII ativa, os pesquisadores observaram uma melhora significativa na qualidade de vida em pacientes com RCU tratados em comparação aos controle”, relatam os autores do artigo.

Um ensaio clínico multicêntrico aberto usou alimentos de cevada germinada (GBF) em pacientes com colite ulcerativa ativa leve a moderada por 24 semanas – fora da terapia padrão com aminossalicilatos e/ou esteroides. “Após 24 semanas de tratamento com o prebiótico, o grupo GBF apresentou reduções significativas na atividade clínica, principalmente com presença de sangue nas fezes e diarreia noturna, em comparação ao grupo sem tratamento com GBF”, descrevem.

De acordo com a revisão, vários ensaios clínicos avaliaram a eficácia dos probióticos tanto na indução da remissão quanto na manutenção da DII, bem como na distinção entre doença de Crohn e colite ulcerativa. Um estudo randomizado e duplo-cego realizado com 56 pacientes com colite ulcerativa leve ou moderada, por exemplo, utilizou Bifidobacterium longum e placebo.

“Após oito semanas, foram observadas reduções significativas na atividade clínica da doença no grupo de estudo, embora a diferença entre os grupos não tenha sido significativa”, informam os autores da revisão. No entanto, foi observada melhora clínica do sangramento retal e redução da atividade endoscópica, avaliada por meio de exame endoscópico após oito semanas de tratamento. 

Paraprobióticos

De acordo com os autores da revisão científica, não existem estudos diretos em pacientes com DII e paraprobióticos. Entretanto, como o uso de probióticos não é indicado para pessoas com imunidade reduzida e barreira intestinal prejudicada, por exemplo, a administração de cepas bacterianas inativadas, fragmentos bacterianos e produtos de seu metabolismo pode ser útil para obter efeitos terapêuticos semelhantes.

Chamadas de paraprobióticos, as células microbianas probióticas mortas e seus constituintes celulares têm propriedades anti-inflamatórias, imunomoduladoras, antiproliferativas e antioxidantes. “Em estudos in vitro, os paraprobióticos parecem ser muito promissores na prevenção e no alívio dos sintomas da DII”, afirmam os cientistas. Em resumo, os autores da revisão avaliam que o uso de paraprobióticos pode ser uma boa alternativa para pacientes com DII, combinando os benefícios dos probióticos e eliminando a possibilidade de eventos adversos.

Posbióticos

Por fim, os autores informam que as pesquisas sobre posbióticos ainda não são tão comuns. Entretanto, a maioria dos estudos avaliados descreveu o efeito benéfico dos ácidos graxos de cadeia curta (AGCC). “É necessária uma extensa pesquisa para vincular prebióticos específicos a probióticos específicos e aos posbióticos resultantes em pacientes com DII. Apesar disso, é uma área potencial para pesquisas futuras”, acentuam. O artigo foi publicado em 2021 na Biomolecules.

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