Cuidado aos sinais da depressão

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Muito cuidado com os sinais da depressão

Escrito por: Fernanda Ortiz

Crônica e recorrente, a depressão é uma doença psiquiátrica que causa alteração do humor, associada a sentimentos de dor, amargura, desesperança, baixa autoestima e culpa. Considerada a doença do século XXI, estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que cerca de 300 milhões de pessoas sofram com a enfermidade no mundo. De acordo com a Pesquisa Vigitel 2021, realizada pelo Ministério da Saúde, aproximadamente 11,3% dos brasileiros já foram diagnosticados, fazendo com que o Brasil ocupe a primeira posição nos países com maior prevalência de depressão na América Latina.

Associada a fatores genéticos, a doença pode ser provocada por uma disfunção bioquímica do cérebro. Entretanto, nem todas as pessoas com predisposição genética reagem do mesmo modo diante de fatores considerados gatilho. Entre os exemplos estão acontecimentos traumáticos, estresse físico e emocional, consumo de álcool ou tabaco, assim como algumas doenças sistêmicas e uso de medicamentos. Independentemente da origem, a doença exige acompanhamento médico individualizado e sistemático a depender da sintomatologia e intensidade.

O médico neurocirurgião Fernando Gomes, professor livre docente de Neurocirurgia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), lembra que é preciso conscientizar a população a respeito da realidade dos problemas mentais que levam a um grande sofrimento e até ao suicídio. “Os principais sinais de alerta para identificar que algo não funciona bem é quando o sentimento de tristeza, comum em pequenas doses na vida de todos, passa a ser constante, indicando um quadro de depressão”, alerta.

O estado de humor que se altera de forma persistente, fazendo com que a pessoa se sinta desanimada e sem esperança na maior parte do dia por pelo menos duas semanas, é o principal indicativo de uma desregulação cerebral de áreas relacionadas ao humor, impulsos e energia. “Esse quadro pode ser engatilhado por algum evento negativo na vida ou aparecer espontaneamente, indicando que a vivência de estresse e tristeza normal se prolonga para um quadro persistente e distorcido, se somando a outros possíveis sintomas relacionados a depressão, como, por exemplo, insônia e desequilíbrio no apetite”, esclarece.

Os níveis de energia na depressão também caem rapidamente, roubando as forças e aumentando a sensação de fadiga, ou seja, mesmo que a pessoa esteja descansada, a sensação de estafa persiste. “Isso acontece pois, tanto a energia quanto a força física são comandadas pelo cérebro, que fica com a capacidade de disposição reduzida em decorrência da depressão”, explica o médico. Outro sintoma clássico é a indecisão acompanhada da ausência de planos, do silêncio constante e do isolamento. Essas situações fazem com que o indivíduo deixe de interagir, de produzir, de se divertir e de fazer exercícios, impactando negativamente nas suas relações pessoais e profissionais.

“Mesmo que o indivíduo não seja capaz de identificar problemas, tais sinais indicam que precisa de ajuda médica especializada imediata e, nesse sentido, a família e as pessoas próximas desempenham papel fundamental para o diagnóstico e início do tratamento”, enfatiza o especialista. Os pacientes precisam de tratamento de manutenção ou preventivo, que pode levar anos ou a vida inteira, para evitar episódios de crise ou que a doença evolua para casos mais extremos. Além da medicação e de uma rede de apoio, a psicoterapia é importante aliada, pois auxilia na reestruturação psicológica do paciente, aumentando a compreensão sobre a doença e oferecendo ferramentas para a resolução de conflitos.

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