Cuidar da saúde mental é prioridade

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Cuidar da saúde mental é prioridade

Escrito por: Fernanda Ortiz

O Brasil lidera um ranking alarmante: o de país mais ansioso do mundo. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 18,6 milhões de brasileiros, ou seja, 9,3% da população, convivem com transtornos de ansiedade. No caso da depressão, os números também são preocupantes com mais de 11 milhões de pessoas diagnosticadas com a doença. Diante desse cenário, ações voltadas para conscientização, prevenção e cuidados com a saúde mental são medidas urgentes e necessárias em um país com milhares de ansiosos.

Instituída em 2014 e com lei sancionada em 2023 (Lei 14.556/23), a campanha Janeiro Branco alerta para as questões e necessidades relacionadas à saúde mental da população brasileira. Em termos simbólicos e culturais, no primeiro mês do ano as pessoas estão mais propensas a pensar em suas vidas, nas relações sociais, emoções e sentidos existenciais. Portanto, esse é o momento para que profissionais e instituições de saúde estimulem uma cultura de saúde mental e bem-estar emocional.

Estilo de vida, estresse, exigências do cotidiano e vida familiar contribuem para o surgimento de transtornos e doenças ligadas à mente e, consequentemente, às emoções. “Os sinais de problemas relacionados à saúde mental podem incluir uma variedade de alterações no pensamento, humor, energia e comportamento, que impactam negativamente diversos setores da vida”, avalia a médica psiquiatra Claudine Cheim, doutora pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e integrante do quadro clínico da Rede de Hospitais São Camilo, em São Paulo.

Sintomas

Entre os sintomas mais recorrentes estão a dificuldade em cumprir responsabilidades habituais, desmotivação para atividades antes prazerosas, crises emocionais, sofrimento prolongado, desvalorização pessoal, pensamentos de morte e/ou ideação suicida e isolamento social. Além disso, são relatados dificuldade para dormir, irritabilidade, mudanças significativas na vida social, alterações no humor, pensamento e comportamento. “Esses sinais, quando intensos ou persistentes ao longo do tempo e aliados ao sofrimento, podem ser indicativos de problemas relacionados à saúde mental. Assim, requerem atenção urgente, acompanhamento médico e tratamento adequado”, avalia a psiquiatra.

De acordo com a médica, a saúde mental não pode ser negligenciada, pois, quando os sintomas são recorrentes e não recebem o tratamento adequado, os prejuízos se intensificam e podem levar a desfechos dramáticos. Portanto, a recomendação é investir no autocuidado, ou seja, praticar atividades que contribuam para a integração mente e corpo como a meditação, assim como preservar a saúde. Além disso, é importante buscar ajuda especializada quando não estiver bem, manter o equilíbrio na organização da rotina, interagir com outras pessoas, fazer atividades físicas e passar um tempo de qualidade com a família. Ademais, ter sono e alimentação adequados e reservar momentos para o lazer também contribuem para o bem-estar emocional.

Maior prevalência

Ansiedade e a depressão são as doenças relacionadas a saúde mental mais prevalentes na população brasileira, e afetam significativamente a qualidade de vida e o bem-estar emocional. A ansiedade é caracterizada por sintomas como preocupação constante, tensão, irritabilidade, dificuldade para relaxar e insônia.

“A condição pode ser causada por fatores como estresse, cobranças excessivas, problemas pessoais e situações cotidianas difíceis”, descreve a psiquiatra. Já a depressão é um estado de humor negativo com sentimentos de tristeza intensa, falta de interesse e motivação, isolamento e dificuldade para realizar atividades cotidianas. Relacionada a ideais suicidas, a depressão é um problema importante de saúde pública.

A fobia social é outro transtorno prevalente no Brasil que acomete cerca de 13% da população (o equivalente a 26 milhões de pessoas), de acordo com dados divulgados em 2021 no Congresso Brasileiro de Psiquiatria. “O distúrbio é caracterizado pelo medo irracional de ser observado, criticado, julgado ou ridicularizado por outras pessoas, fazendo com que o paciente evite situações sociais”, descreve a médica.

Já a esquizofrenia é descrita pela OMS como a terceira causa de perda da qualidade de vida entre os 15 e 44 anos. De acordo com a entidade, cerca de 1,6 milhão de brasileiros sofrem com o estigma desse distúrbio mental crônico e grave. A esquizofrenia é caracterizada por sintomas como delírios, alucinações, pensamento e fala desorganizados, comportamento anormal e afastamento progressivo das atividades sociais e familiares.

Todas essas condições possuem tratamento. Por isso, ao observar sintomas, a recomendação é buscar ajuda médica especializada o quanto antes para diagnóstico e cuidados adequados, que incluem medidas terapêuticas e medicamentosas.

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