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Medos comuns da infância podem se tornar patológicos    

Escrito por: Fernanda Ortiz

Insegurança e medo fazem parte do desenvolvimento normal de qualquer indivíduo, especialmente durante a infância e adolescência. Da mesma forma, são uma resposta emocional a um acontecimento imaginário ou real, que pode ser um sinal benéfico para agir em situações de perigo.

Porém, os medos precisam ser observados com mais cautela quando se tornam mais intensos e desproporcionais ao risco real. Assim, será possível ajudar a evitar que evoluam para uma condição emocional mais extrema que poderá impactar negativamente na qualidade de vida. Ao mesmo tempo, pais e cuidadores precisam estar atentos a mudanças abruptas de comportamento das crianças. Se identificadas, devem procurar ajuda médica especializada para identificar a manifestação do medo e a melhor forma de lidar com isso.

Para a médica Danielle Herszenhorn Admoni, psiquiatra da Infância e Adolescência na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp), é natural que a criança se assuste com coisas que nunca teve contato ou ainda não compreende. “A grande armadilha do sofrimento das crianças e dos adolescentes é entender o que se passa dentro deles, principalmente os menores que, muitas vezes, não conseguem verbalizar o que sentem”, avalia. Enquanto há casos em que é perceptível algum tipo de transtorno, em muitos outros a dor é silenciosa, o que demanda atenção aos pequenos sinais, gestos, posturas e expressões.

Segundo a psiquiatra, o medo infantil se modifica a cada fase da vida da criança. Desde a primeira infância, as crianças passam a apresentar medos comuns, a exemplo de escuro, barulhos estranhos, luzes fortes e pessoas fantasiadas. Mas, com o tempo, outros surgem, como o medo de animais, fantasmas, monstros, chuva e trovões. “Além disso, a criança tem medo de não ser aceita, medo de separação, de morte, de não ter bom desempenho escolar, de ser excluída, entre tantos outros”, enumera. Dessa forma, distinguir o medo normal do medo patológico é muito importante para evitar interferências no desenvolvimento e repercussões na vida adulta.

 

O medo patológico deve ser considerado quando a criança ou o adolescente apresentam determinados comportamentos, a exemplo de medo desproporcional e que não corresponde à idade. Medo invasivo que interfere no sono e na alimentação, preocupação e ansiedade persistentes, comportamentos regressivos ou obsessivos/compulsivos são sinais de alerta.

A psiquiatra orienta que quadros deste tipo podem acometer de 10% a 30% dessa população, demandando ajuda médica especializada imediata. “Os pais têm papel fundamental, tanto para identificar os sinais como para encontrar soluções que os amenizem. Dessa forma, permitindo que a criança manifeste seus anseios, desmistificando medos irreais, não favorecendo atitudes que intensifiquem o medo e oferecendo acolhimento sempre que necessário”, orienta.

 

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