Espiritualidade e saúde física e mental

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Ciência reconhece a espiritualidade

Escrito por: Fernanda Ortiz

Até pouco tempo, o diálogo entre ciência e espiritualidade era considerado um tema polêmico no meio acadêmico. Embora os mecanismos de como os valores espirituais agem no organismo ainda sejam desconhecidos, profissionais da saúde já perceberam que essa é uma abordagem complementar válida para fortalecer a saúde física e emocional. A abordagem da espiritualidade, não necessariamente ligada a uma religião, é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como prática terapêutica por exercer efeitos positivos àqueles que precisam enfrentar algum tipo de adversidade em relação à saúde.

O aumento das pesquisas na área tem sido exponencial. No estudo de revisão ‘Intervenções religiosas e espirituais em saúde física’, realizado no Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPQ-FMUSP), os pesquisadores constataram que os trabalhos apresentavam índices positivos de qualidade de vida, controle da dor e promoção de comportamento saudável, entre outros. Dessa forma, ficou evidenciado que a metodologia dos ensaios clínicos é adequada às propostas não farmacológicas. Estudos de coorte como o Nurses’ Health Study também têm trazido importantes contribuições sob a ótica da doença associada à religiosidade, apontando redução de óbitos de diversas causas, inclusive, com menores taxas de suicídio.

O Grupo de Estudos em Espiritualidade e Medicina Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) define espiritualidade como um conjunto de valores morais, mentais e emocionais que norteiam pensamentos, comportamentos e atitudes nas circunstâncias da vida. A médica endocrinologista Bruna Marisa, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e plantonista no Hospital São Francisco de Belo Horizonte, Minas Gerais, afirma que os benefícios da fé e da espiritualidade em relação à medicina e, principalmente, à saúde individual são perceptíveis. “Hoje, é possível dizer com um pouco mais de tranquilidade que quanto mais perto de Deus ou de outra denominação, a depender da religião, estivermos, melhor é a nossa evolução na saúde física e emocional”, reforça.

Além da fé, ter gratidão e encarar as situações de maneira positiva – por mais difíceis que sejam – é determinante para alcançar melhor resposta a um tratamento ou a uma condição. “A forma como encaramos um problema ou uma doença determina como essa situação será enfrentada. Ser positiva, ter serenidade, esperança e resiliência ajudará o indivíduo a enfrentar as dificuldades com mais leveza, aprendendo a lidar com as crises, as dores e os períodos mais difíceis na luta pelo restabelecimento da saúde”, avalia. A especialista acredita que, a partir do momento em que a visão acadêmica passa a priorizar, também, valores humanos como sensibilidade, compaixão, tolerância, cooperação e , integra mais do que o uso racional da investigação científica.

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