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Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial

Entrevista: As novas diretrizes para hipertensão arterial

Luiz Aparecido Bortolotto

Estimativas do Ministério da Saúde indicam que cerca de 30% da população adulta no Brasil convive com hipertensão, uma condição silenciosa que aumenta o risco de infarto, acidente vascular cerebral e problemas renais. Em resposta a esse cenário, as sociedades brasileiras de Cardiologia, de Nefrologia e de Hipertensão lançaram, em setembro de 2025, a Nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. A recomendação agora é que a pressão arterial ideal esteja abaixo de 12 por 8, especialmente para indivíduos de risco. O médico Luiz Aparecido Bortolotto, professor livre docente do Departamento de Cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), coordenador do Programa de Residência Multiprofissional Prevenção e Terapêutica Cardiovascular da FMUSP, vice-supervisor da Residência Médica de Cardiologia do Instituto do Coração (InCor) e um dos organizadores da nova diretriz, explica detalhes dos objetivos dessa iniciativa.

Como foi feita a revisão da diretriz?

Representantes da Sociedade de Cardiologia, Sociedade Brasileira de Hipertensão, que representei como coordenador, e Sociedade Brasileira de Nefrologia, no total de quase 70 especialistas – médicos, educador físico, farmacêutico, nutricionista, enfermeiro e outros – participaram desse trabalho, porque a hipertensão precisa de uma abordagem multidisciplinar. Foi um ano de reuniões constantes, on-line e presenciais, para constituirmos esse documento baseado em evidências científicas que suportam essas recomendações. Temos grandes evidências internacionais, mas também evidências de trabalhos realizados no Brasil, principalmente relacionados à prevalência, diagnóstico e tratamento.

Qual foi o principal motivo para a revisão desses parâmetros?

As últimas diretrizes lançadas em 2025, do qual fui um dos coordenadores, chama atenção para valores antes considerados como normais, que seria os 120 por 80 ou 12 por 8, para que já se inicie uma prevenção para o desenvolvimento de hipertensão. O conceito hipertensão, que atribuímos à doença propriamente dita, é a partir de valores maiores ou iguais a 14 por 9. Isso não mudou nada. O que trouxemos foi o conceito de pré-hipertensão que já existia anteriormente para valores um pouco mais baixos, porque há uma tendência, inclusive dos documentos internacionais, de que a partir de 12 por 8 já se começa a aumentar o risco de desenvolver hipertensão e, eventualmente, ter alguma complicação futura. Então, a ideia foi trazer um valor um pouquinho mais baixo para ficarmos mais atentos e termos esse suporte de maior prevenção, com adoção de hábitos de vida saudáveis em fase anterior ao aparecimento da hipertensão.

Então, uma pessoa com pressão 12 por 8 é um pré-hipertenso?

Sim, agora é considerado como pré-hipertenso quem tem pressão de 12 por 8 a 13.9 por 8.9. Isso significa que essas pessoas devem medir a pressão com mais regularidade, devem ir pelo menos duas vezes por ano visitar o médico e devem adotar ou reforçar os hábitos saudáveis, ou seja, controlar o peso, praticar atividade física regular, diminuir o sal no consumo diário da alimentação e controlar melhor o estresse. Tudo isso para evitar que se torne hipertensa mais cedo ou mais precocemente. Não é para dar remédio! Em algumas situações muito especiais, os especialistas vão avaliar o paciente como um todo e, se tiver muito risco junto, como diabetes, doença nos rins e colesterol elevado, se pensa em medicação se a pressão estiver entre 13 por 8 e 13.9 por 8.9.

Há outras novidades nessa diretriz?

Primeiro, a diretriz traz um reforço a mais para se utilizar medidas fora do consultório como um adicional para o diagnóstico. Por exemplo, a Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial ­(MAPA) é uma ferramenta muito importante para ajudar no diagnóstico, principalmente nesses casos que estão na faixa de pré-hipertensão, porque pode haver uma situação de hipertensão mascarada – que é o contrário do ‘efeito avental branco’. No ‘efeito avental branco’, a pessoa fica mais nervosa na presença do profissional da saúde e, por isso, a pressão sobe. A mascarada é aquela pessoa que está nessa faixa de pré-hipertensão porque, no consultório, relaxa um pouco mais. No entanto, quando faz as medidas com a MAPA está acima dos valores considerados normais. E essa situação é mais perigosa do que a hipertensão que é diagnosticada e tratada. Outra novidade é um capítulo dedicado à mulher. Já tínhamos, em outras diretrizes, pontuado algumas peculiaridades em relação à mulher, principalmente na gestação, mas o enfoque dado nessa nova diretriz são os cuidados desde a fase fértil, antes da gestação, e a mulher mais jovem, principalmente em relação ao uso de anticoncepcional oral – porque anticoncepcional com alta quantidade de estrógeno pode aumentar a pressão. Também destacamos os cuidados com a síndrome do ovário policístico, que afeta a mulher mais jovem e contribui para a hipertensão. Sobre a hipertensão na gestação – que é a principal causa de morte de mulheres grávidas – reforçamos a importância do controle não só no momento da gestação, mas também depois do parto porque, mesmo que a pressão normalize, essa mulher tem mais chances de ter complicações. Por isso, deve ter um acompanhamento com um especialista. Além disso, é preciso ter cuidados na menopausa. Enfim, as diferentes fases da mulher foram contempladas neste capítulo.

O maior risco de morte de mulheres grávidas é em razão da eclâmpsia e da pré-eclâmpsia?

Isso, são as complicações mais graves da hipertensão durante a gestação. Mas, se a gestante tiver um acompanhamento bem regular, esse risco diminui muito. Por isso, temos de ficar bem atentos ao aumento da pressão até mesmo antes da gestação, pois tem muitas mulheres engravidando já com diagnóstico de hipertensão.

O fato de as mulheres terem filhos após os 35 anos agrava o risco?

Sim, isso aumenta o risco, porque quanto mais idosa, maior a chance de ter hipertensão, principalmente quando já existe uma genética favorável. Sem contar os outros fatores de risco, como a obesidade e o estresse mais intenso. E muitas dessas mulheres acabam recorrendo à fertilização in vitro, que também é um fator de risco para o desenvolvimento de hipertensão.

Hoje, as mulheres correm tanto risco de ter doenças cardiovasculares quanto os homens?

Então, temos as fases da vida. O que vemos nessa evolução, principalmente com a entrada maciça da mulher no mercado de trabalho e submetida ao mesmo estresse que antes era mais reservado aos homens, é de que o risco aumentou para essas doenças. Na fase mais jovem, o risco ainda é menor do que no homem, mas a mulher tem um risco maior de complicações. Quando existe um infarto ou um AVC na mulher mais jovem, por exemplo, é muito mais comprometedor do que no homem nessa faixa etária. Já se sabia antes, e hoje é bem reforçado, que após a menopausa a mulher aumenta a chance de ter doenças cardíacas e, às vezes, ultrapassa o homem. Esse é um lado negativo relacionado ao próprio processo biológico feminino. Mas o que vemos nos trabalhos de prevalência de hipertensão tem um lado positivo, porque a mulher fica sabendo antes que tem hipertensão do que o homem, pois vai mais ao médico. No caso da hipertensão, que é assintomática, os homens muitas vezes vão ao médico já com alguma complicação associada, ou seja, em uma fase mais complicada.

“Agora é considerado pré-hipertenso quem tem pressão de 12 por 8 a 13.9 por 8.9. Isso significa que essas pessoas devem medir a pressão com mais regularidade e ir pelo menos duas vezes por ano visitar o médico…”

E os idosos, como foram inseridos na nova diretriz?

O foco principal em relação a esse critério mais baixo para a pressão está visando mais uma prevenção em indivíduos mais jovens. Mas temos um capítulo na nova diretriz exatamente sobre os extremos: criança e idoso. Sabemos que, com o aumento da idade, as artérias endurecem. E, com isso, o idoso fica com mais chance de aumentar a pressão sistólica, que é a máxima, enquanto a mínima, em geral, até cai. Então, é muito comum ver um idoso, por exemplo, com pressão 20 por 6 por causa desse endurecimento das artérias. Os cuidados no idoso, com essa diretriz, visam dar um reforço de algumas peculiaridades, porque os médicos são um pouco mais tolerantes no diagnóstico e nos cuidados, principalmente com o idoso frágil, em termos de usar medicamentos com mais intensidade como usariam no indivíduo mais jovem. No idoso frágil, começamos de uma forma um pouco mais lenta, mais gradual para o tratamento, porque o foco é a fragilidade. E também precisamos focar na polifarmácia. Assim, a orientação é tentar usar uma quantidade menor de medicamentos ou optar por aqueles que tenham vários medicamentos no mesmo comprimido, em vez de prescrever 4, 5 comprimidos diários – e não só no idoso, mas para qualquer pessoa que tenha de usar a associação de dois ou mais remédios. Infelizmente, no SUS não existe esse comprimido único com várias formulações ainda – no máximo três. Mas, na saúde suplementar já tem. Aqui no InCor estamos fazendo um protocolo para ter esse comprimido, porque isso facilita. Em vez de o paciente tomar cinco comprimidos, vai tomar um só.

A hipertensão também vem assustando em relação a crianças e adolescentes?

Há algumas evidências e, no Brasil, alguns estudos importantes mostram que aumentou a ocorrência de hipertensão entre adolescentes, principalmente. E isso está relacionado exatamente ao aumento do peso, à obesidade, ao sedentarismo e ao consumo excessivo de produtos com alta quantidade de sal. Aliado a isso está o fato de muitos adolescentes usarem algumas substâncias como energizantes e anabolizantes, principalmente em academias, que podem aumentar a pressão. Eu já tive vários casos de adolescente que ficou com a pressão alta pelo uso de anabolizantes para aumentar o desempenho. Eles tomam energizantes para não ficar cansados e, às vezes, combinam com o álcool. E essa combinação é muito ruim para o coração e também para a pressão.

Um jovem que não cuida da pressão pode infartar, por exemplo, aos 40 anos, ou ser um hipertenso aos 50?

Sim. Se existem familiares com hipertensão, principalmente pai, mãe, avós, irmãos, já desde a adolescência esse indivíduo tem mais chance de ser hipertenso. Então, se aumentar o peso, for sedentário e ter os outros fatores de risco, pode se tornar hipertenso. E, se não tratou, pode ir afetando o vaso, sobrecarregando o coração, afetando o rim. E aí surge o risco de ter um AVC aos 40, 50 anos.

Por quanto tempo a pressão deve estar elevada para o diagnóstico?

A pressão deve estar maior ou igual a 14 por 9 em pelo menos duas consultas diferentes, com uma média de três medidas realizadas naquele momento. Então, se o indivíduo medir hoje e estiver 150 por 100, podemos confirmar o diagnóstico em outra consulta diferente com valores acima ou iguais a 140 por 90. Ou podemos usar a MAPA e, se tiver acima de 135 por 85 na vigília, que é o período acordado, já podemos falar que o indivíduo é hipertenso.

“Há algumas evidências e, no Brasil, alguns estudos importantes mostram que aumentou a ocorrência de hipertensão entre adolescentes, principalmente”

Um hipertenso deixa de ser hipertenso em algum momento?

Em algumas situações específicas pode até acontecer. Os dados indicam que 10% dos pacientes têm hipertensão por causas secundárias. E aqui no InCor somos especialistas nessas causas secundárias, que podem ser endócrinas, ou seja, desregulações principalmente da glândula suprarrenal que pode produzir excesso de hormônios que vão aumentar a pressão. E, quando retiramos essa causa – quer seja com cirurgia ou medicamento –, a pessoa pode deixar de ser hipertensa. Um estreitamento da artéria que manda sangue para o rim é outra causa que pode ser corrigida e, eventualmente, eliminar a hipertensão. A outra causa importante é a obesidade. Se a hipertensão estiver muito relacionada à obesidade, depois de perder peso com qualquer tratamento essa pessoa pode deixar de ser hipertensa. Fizemos um trabalho conjunto com o Hospital das Clínicas e o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia sobre a cirurgia bariátrica que teve várias publicações e repercussões. De 100 participantes, 47% dos que tinham obesidade e hipertensão não controlada deixaram de tomar remédio depois da cirurgia bariátrica. Agora, estamos querendo estudar o tratamento da obesidade com essas medicações mais novas que estão chegando para ver se isso pode acontecer da mesma forma. Mas são casos pontuais, e a grande maioria dos hipertensos tem mesmo de tomar remédio para o resto da vida.

A nova diretriz sugere que todos os médicos afiram a pressão de seus pacientes a cada consulta?

Isso é muito importante e essa é outra novidade. A diretriz também tem um capítulo com um resumo adaptado às questões da rede de atenção primária, que é a porta de entrada da grande maioria da população. E uma das primeiras recomendações é medir a pressão em qualquer consulta da Unidade Básica de Saúde. Há uma iniciativa já há alguns anos com várias entidades – incluindo a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo e a Universidade da Basileia, da Suíça – da qual eu participo e que é independente da diretriz, que já teve publicações e, agora, está expandindo. Basta uma cadeira, uma mesinha adaptada e um aparelho de pressão para fazer o teste para todos os pacientes, incluindo teste de diabetes. Chegou ao posto, vai nesse cantinho. Começamos com um projeto na Zona Leste de São Paulo e isso gerou uma publicação, porque o diagnóstico aumentou e, em um período de dois anos, tivemos 50 mil registros a mais de pressão arterial em relação aos dados anteriores. E isso pode ser feito pelo pediatra, clínico geral, ginecologista, urologista e qualquer outra especialidade.

Os médicos precisam abraçar essa ideia para que dê certo?

Sim, precisamos convencer os médicos a fazerem isso. Estamos fazendo um trabalho de expansão com o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) para que essa mensagem chegue na ponta. Nos consultórios particulares também tem de ser feito. Se o médico especialista não ficar focado somente naquele problema, poderá ajudar muito. Por exemplo, já tivemos casos de hipertensão grave com repercussão no fundo de olho cujo diagnóstico foi feito no oftalmologista. Outra oportunidade que se vislumbra é um posicionamento da Sociedade Brasileira de Hipertensão e da Sociedade Brasileira de Periodontologia, porque existe uma associação entre periodontite e hipertensão. Temos um documento sobre isso. Portanto, o rastreio do diagnóstico de hipertensão pode ser feito até no dentista. O importante é ressaltar que, para fazer um diagnóstico de hipertensão, não precisamos de nenhuma tecnologia avançada. Só precisamos aferir a pressão uma, duas vezes. Não requer tecnologia, mas precisamos fazer.

O que acontece no organismo para a pressão arterial elevar?

A hipertensão é uma doença que acontece porque há um aumento da resistência das artérias, que são os principais vasos que levam o sangue oxigenado para o corpo e ao fluxo de sangue que é ­jogado no momento em que o coração bate. E precisamos de pressão para o sangue fluir e irrigar os órgãos nobres como coração, cérebro, rins, fígado e outros. Basicamente, a doença surge quando o vaso vai criando uma resistência maior, seja porque a parede está mais endurecida, no caso dos idosos, ou por outras alterações. Então, para fluir o sangue precisa de mais pressão – que é a hipertensão. E quando há esse esforço é que ocorrem os problemas. O coração, por exemplo, tem de fazer mais força para superar essa resistência. E, com isso, o músculo do coração fica grosso. E aí, quando o coração cansar por causa do esforço, vai ocorrer uma insuficiência cardíaca, que é uma complicação da hipertensão grave e pode levar até à necessidade de transplante. Há um dado de que pelo menos 20% a 30% dos casos que estão em fila de transplante cardíaco não precisariam estar ali se tivessem tratado a hipertensão. Para o rim, o impacto da hipertensão aliada ao diabetes é ainda pior. De cada 100 pessoas que estão em diálise precisando de um transplante hoje, 80% poderiam não estar nesta situação se tivessem tratado a pressão alta e o diabetes. E temos de lembrar que o diabético tem mais chance de ter hipertensão, assim como o hipertenso obeso tem mais chance de ter diabetes.

E o número de 12 por 8 é um indicativo de que começa a haver um esforço maior?

O número que indica a pressão arterial é uma fotografia que está expressando isso tudo que está acontecendo dentro do vaso. E quanto maior o número, maior o risco de sobrecarregar o coração, o cérebro, os rins, em prazo mais longo ou mais curto. Se uma pessoa tiver um valor de pressão muito mais alto e subir rapidamente, há o risco de o vaso se romper, por exemplo, e ter um AVC hemorrágico. Se ocluir a artéria, o indivíduo terá um infarto. Portanto, as consequências da pressão não tratada envolvem os vasos e as artérias. E há vários motivos para isso ocorrer, porque no nosso dia a dia temos vários sistemas que controlam a pressão. Enquanto estamos conversando, quando vamos subir uma escada ou quando vamos dormir existe um equilíbrio de sistemas para manter a pressão estável. Importante lembrar que não tem nada a ver com varizes, porque a hipertensão não está relacionada às veias, mas sim às artérias. A pressão aumenta quando aumenta essa resistência à passagem de sangue para o fluxo do coração. Costumo dizer que quando medimos a pressão temos uma fotografia. E hoje, com ferramentas como a MAPA, temos um filme com várias fotografias da pressão que ajuda muito nesse diagnóstico.

A hipertensão é um problema global?

Sem dúvida. É a principal doença crônica não transmissível no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou, uns dois anos atrás, uma chamada muito importante para esse cuidado com a hipertensão. Além dos fatores de risco já conhecidos, a etnia afrodescendente aumenta a chance de ter o problema. E nessa nova diretriz também colocamos a questão ambiental e os fatores psicossociais, ou seja, poluição e urbanização, que também são importantes para o desenvolvimento de hipertensão, além do estresse crônico ou, principalmente, como a pessoa maneja o estresse.

A hipertensão é uma inimiga silenciosa?

Sim. Mas existem alguns sintomas que não são propriamente relacionados, mas podem ser um sinal de alerta. Por exemplo, uma tontura mais comum, uma dor de cabeça frequente – não aquela dor de cabeça na nuca, mas uma dor na cabeça inteira –, os olhos com aqueles pontinhos mais brilhantes ou pretos e sangramento nasal recorrente são sinais de alerta que podem indicar que a pressão está alta. Agora, existem alguns sintomas que já sugerem complicações da pressão alta, como falta de ar para fazer um esforço ou caminhar, assim como dor no peito.

Alimentação saudável e atividade física regular são dois pilares para ajudar no controle da pressão arterial?

Sim, e são indicados nesse grupo de pré-hipertensão e para todos os hipertensos. Além disso, controlar o peso, parar de fumar e diminuir o consumo de álcool, que também aumenta a pressão. As medidas não medicamentosas incluem, ainda, caminhar mais, subir escadas em vez de pegar elevador e andar o máximo possível dentro das atividades diárias. Em relação à alimentação, evitar os ultraprocessados e dar preferência a alimentos mais saudá­veis, com verduras, frutas frescas, banana, mamão e grãos, porque esses alimentos aumentam a ingestão de potássio e o potássio ajuda a diminuir a pressão. A dieta DASH – Dietary Approaches to Stop Hypertension, que foi utilizada em um estudo antigo para hipertensão, é a melhor dieta para prevenção e controle da pressão, e é composta basicamente de arroz, feijão, um grelhado e salada. E, o mais importante, controlar o sal. O sódio é o principal vilão da hipertensão arterial. Recomendamos 2 gramas de sódio ou 5 gramas de cloreto de sódio por dia – o que dá três colheres de café rasas – ­para temperar toda a comida que a pessoa vai consumir. E isso dá para fazer, sem maior dificuldade. E também colocamos na diretriz uma ênfase no controle da ansiedade e do estresse e para a prática da religiosidade e espiritualidade, porque isso tudo ajuda a pessoa a se sentir melhor. E terapia, nos casos que necessitam para a saúde mental, porque também ajuda no controle da pressão. Além disso, ter conexões sociais saudáveis também ajuda muito. •